A Livraria é baseado no livro The Bookshop da autora Penelope Fitzgerald. Passado no ano de 1959, a viúva Florence Green (Emily Mortimer) resolve abandonar o luto e abrir uma livraria na pacata e apática cidade de Hardborough, Inglaterra.

Por se tratar de uma história que se passa num lugar calmo, a calmaria da natureza prevaleceu na fotografia e áudio.


História


O enredo é simples, deixando o espectador com a sensação de tranquilidade, como se estivesse contemplando a natureza ou lendo um bom livro.

Por ser uma adaptação literária, o ritmo rápido do início, onde Florence adquire a livraria, deixa a sensação de que houveram muitos cortes da obra original. Não que seja algo perturbador, não é, apenas despertou a curiosidade de adquirir o livro.

Já no meio e fim, ele fica um pouco mais lento, para ajudar a criar todos os momentos de tensão e desconforto vividos pelos personagens. A finalização foi agradável, deixando a mesma sensação de calmaria que foi mantido desde o início da obra.

Personagens


Os personagens são caricatos chegando perto do clichê. A menina de cabelos cacheado  que anda saltitante na rua, fala diretamente o que ninguém em coragem de dizer, responsável pelo alívio cômico. O banqueiro e o advogado que deveriam se manter neutros com relação à personagem principal, mas não são.

O galã recluso em sua própria casa onde ninguém do vilarejo nunca mais o viu, todos sabem de sua existência o que gera fofocas. Antagonista rica, onde toda mudança para a cidade deve ser feita se assim desejar. A mocinha gentil, doce que vai contra os pensamentos pacatos da cidade, lembrando a Bela de “A Bela e a Fera”.

Os formatos de personagens combinam com o formato da obra, que parece uma fábula. Nesse caso, o intuito é mostrar e influenciar a leitura de livros. O que faz bem, citando autores e livros clássicos como “Lolita”, que se tornou um dos problemas para a protagonista.


Fotografia


A fotografia é clara exaltando a beleza das paisagens. O humor da personagem é apresentado também pela natureza. Se estava triste ou alegre, a natureza respondia do mesmo jeito, o que é mostrado entre a troca de cenas.

Enquadramentos geométricos são notados constantemente, durante o filme, deixando a sensação das coisas serem certas, assim como a personagem.

Enquanto o enquadramento torto foi utilizado para mostrar o lugar onde mora, Edmundo Brundish (Bill Nighy), para exaltar a toda a sua inclusão notada também na paisagem em que se encontra sua casa.

Além de muito bem utilizado as cenas desfocadas representando as lembranças da protagonista de décadas atrás.

Trilha


Algo que realmente adorei assim como a fotografia é a trilha sonora. Há vários momentos de conversas em que é utilizado o silêncio, principalmente nas cenas em que há desconforto dos personagens. Apenas as vozes, barulho dos objetos, assovio do vento e até o canto dos pássaros, dão o ar de calmaria.

A escolha da música cantada por uma única voz feminina e o instrumento leve, combinaram perfeitamente com a obra.

Outras sequência que adorei, foi a conversa por meio de cartas. Como uma conversa rápida, as cartas contendo até mesmo duas frases curtas, são escritas e recebidos acompanhando o mesmo tempo da leitura.

Conclusão


A atuação conseguiu trazer de forma satisfatória o melhor de cada personagem, sendo a escolha do elenco fantástica. Gostaria de assistir de novo e ir anotando todas as dicas de leitura que o filme dá, além de despertar a minha curiosidade para ler o livro e conhecer mais sobre a autora.

A Livraria estreia no dia 22 de março. Confira o trailer!

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