A surpresa da ação sem ação


Lançado em 2011, “Deus da Carnificina” é uma adaptação da peça homônima. Dirigido por Roman Polanski, o longa pouco se distancia da estrutura da obra original.

Devo confessar que não sou muito entusiasta quando se trata de filmes com temática reflexiva. Normalmente se não houver algo bem chamativo nos primeiros dez minutos eu simplesmente me disperso e parto para o próximo. E foi isso que quase aconteceu esta vez... Quase!


Toda a história se resume a dois casais com ideais e modos de pensar completamente diferentes, tentando resolver civilizadamente uma briga em que seus filhos – colegas de turma – se envolveram. O problema é que a discussão acaba se tornando acalorada demais e aí todas as suas picuinhas vêm à tona.

[caption id="attachment_1575" align="aligncenter" width="492"] Imagem Filmes/reprodução[/caption]

E por que quase?


Na verdade, vendo os dez primeiros minutos, realmente eu tenho que dizer que cogitei algumas vezes desistir de vê-lo.  Porém, com a ascensão das discussões, é quase impossível não se envolver. A leveza em que as situações se dão e como pouco a pouco cada personagem vai deixando a sua máscara cair é justamente o ponto forte do filme, não há um clímax específico, o sabor dele está no "durante" e não no "final".

Com o desenrolar da história, é possível perceber uma critica a superficialidade das relações humanas, rompendo com a imagem do homem moderno, conciliador, e trazendo de volta o homem primitivo, com seus instintos a flor da pele.

Destaque também para a interpretação dos quatro principais, com ênfase na atuação de Jodie Foster e de Christoph Waltz, cada um interpretando um protótipo oposto ao outro de forma brilhante.

Aos que curtem produções mais "cabeças" esse é um prato cheio e para aqueles que não curtem muito, vale a pena dar uma chance, de repente eles podem ser fisgados com eu fui.