"I turned myself into a pickle, Morty! Its Pickle Rick!"




'Rick and Morty' virou uma febre no ano passado. E com o lançamento de sua terceira temporada o hype só ficou maior, e no fim todos saíram satisfeitos. Essa série animada virou um fenômeno tão grande que fez até o Mc Donald's voltar com um molho que só tinha sido feito nos anos 90. Porém, um dos episódios que mais chamaram atenção dos fãs foi o 'Pickle Rick'.

Uma coisa que eu amo em 'Rick and Morty' é em como os roteiristas usam de sua mídia pra fazer o espetacular. Em animações você pode introduzir o que quiser que não vai alterar muito no orçamento. Um live action, por exemplo, precisaria de um orçamento enorme só pra fazer os efeitos da Portal gun. E 'Rick and Morty' se exalta quando se trata de insanidade nas ideias introduzidas em suas tramas. Aí eles criam uma coisa criativa ao mesmo tempo que simples: O Pickle Rick.

É muito legal ver o Pickle Rick caindo no esgoto e matando insetos e animais até criar uma armadura com seus ossos. Mas, para mim, o maior trunfo desse episódio está no significado daquele picles. Rick é um cara que não se importa com nada e ninguém, mas tem algo que é seu calcanhar de aquiles quando se trata de sua repressão de sentimentos: Sua família.

As relações familiares de Rick.




Rick Sanchez é uma pessoa que todos nós conhecemos, aquele tipo que foge das responsabilidades e prefere empurrar pra debaixo do tapete. Okay, ele já salvou o universo, mas não consegue nem conversar com sua filha sobre o relacionamento dos dois. Alguns deixam de fazer seu papel na criação dos filhos, outro viram um picles. Eu sei, é uma comparação bem esquisita, mas, isso é apenas Rick usando de sua insanidade e inteligência pra escapar daquilo. E com muito humor eles disfarçam a covardia de nosso protagonista diante de sua maior obrigação: Ser pai. Talvez o único obstáculo que o homem mais inteligente do universo não consegue sequer tentar derrubar.

Durante o episódio, Rick libera um prisioneiro que o ajuda escapar de uma instalação do governo. O homem tinha perdido um ente querido anos antes, e ao perguntar se Rick poderia trazer essa pessoa de outra dimensão, nosso protagonista diz que não. Isso é o roteiro mostrando que mesmo que ele não consiga lidar com seus relacionamentos, ainda continua ligando o "F***-se" pro resto do universo.

No fim do episódio, pai e filha discutem sobre seu relacionamento, mas não do jeito que deveriam. Beth, é o tipo de pessoa que vê o erro no outro e tenta abafar. É como se ela aceitasse que o pai fosse inescrupuloso, mas se ele estivesse ao seu lado, tudo estaria bem. Esse tipo de relacionamento é perigoso, podendo causar diversos problemas psicológicos para as duas partes.

É isso o que mais me chama atenção em 'Rick and Morty'. A capacidade dos roteiristas criarem uma série tão alucinante, insana e inteligente, que trata sobre o núcleo de relacionamento mais complexo: A família. Rick Sanchez pode se fazer de durão e sem sentimentos, mas durante muito episódios ele demonstra um afeto para aqueles que estão ali por sua causa. Seja Morty, Beth, Summer, ou até o Jerry. Nosso protagonista nutre um sentimento incontrolável por eles.

Rick Sanchez, o homem mais inteligente do mundo, não sabe lidar com sua própria família.

Uma teoria.




Aliás, uma das teorias mais interessantes é que o Evil Morty é aquele que aparece no ínicio da abertura. Aquele que Rick não consegue salvar e é atacado por monstros. Talvez perder aquele Morty tenha sido o click que transformou o Sr. Sanchez nesse homem imprevisível e desprovido de ética. E talvez ele seja a ruína de nosso protagonista, afinal, Evil Morty está planejando algo grande. Já quero a próxima temporada.