Da paixão cega a uma triste realidade


A violência contra a mulher tem sido um dos assuntos mais discutidos do momento, tal realidade é debatida, enfrentada e liderada por grupos feministas, e os dados são muito tristes:

  • A cada 4 minutos uma mulher é vítima de agressão;

  • Há apenas 500 delegacias para atender mulheres agredidas em todo o Brasil;

  • Cerca de 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes. Quem mais comete o crime são homens próximos às vítimas. (Fonte: Ipea, com base em dados de 2011 do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde);

  • Somente 15,7% dos acusados por estupro foram presos (Dados do estado de São Paulo obtidos pelo G1, referentes aos meses de janeiro a julho de 2017)

  • No estado do Rio de Janeiro, há um caso de estupro em escola a cada cinco dias e 62% das vítimas tinham menos de 12 anos. (Dados do Instituto de Segurança Pública obtidos pelo EXTRA e referentes a Janeiro/2016 a Abril/2017. Nota-se aqui que não há distinção entre os níveis de ensino e que há meninos vítimas de violência sexual)




Você já conheceu alguma mulher vitima de agressão que defendia o agressor? Esses casos acontecem devido a longa manipulação mental que o próprio pratica com a vitima.

Saiba em quem confiar


E para aprofundar essa causa, hoje, falaremos sobre o filme Trust (2010), onde Liana Liberato atua uma garota de 14 anos que foi vítima da manipulação de um homem, o qual a fez acreditar nas suas mentiras até que ela se dê conta da gravidade da situação que aconteceu.

Annie ganhou um computador de seu pai no seu aniversário e começa a acessar chats de relacionamento para fazer amigos e conhece Charlie, que  se apresenta como um rapaz de 16 anos. Depois de meses de ‘relacionamento virtual’, ligações, conselhos, conversas, Charlie revela que ficou com vergonha de dizer mas possui 20 anos.

E quando se encontram, Annie descobre que ele possui 35. O mesmo faz o discurso que para o amor não há diferenças de idade, implora para que ela o perdoe e o conheça melhor e ela apaixonada por alguém que supostamente ‘não existe’, aceita sair com ele.



Charlie (que obviamente não era o nome dele) leva Annie para um hotel, cobre ela de elogios e em seguida a estupra. A família descobre e por um bom tempo Annie, ainda apaixonada, continua defendendo Charlie que desaparece da vida dela. Até que a policia prova que houve outras meninas vitimas com o mesmo perfil que ela, e ela entende que o agressor só queria usá-la e que não a amava.



Vale observar que no filme, Annie não vê a situação como pedofilia ou estupro, somente diferenças de idade. Ela se enxerga como uma mulher, que somente havia tido relações com um rapaz mais velho. Ela enxerga os pais como os destruidores do possível relacionamento com o homem.

É claro que, esse filme envolve pedofilia e outros crimes,  mas o post de hoje é um incentivo a conscientização do abuso emocional e físico. Algumas mulheres suportam situações humilhadoras em relacionamentos, crendo de coração que o parceiro a ama realmente.  Suportam anos e anos, sofrendo numa cega ilusão de que aquela pessoa, que faz tanto mal, um dia já fez bem. Se prendem em um sentimento nostálgico de inicio de relacionamento, e algumas até mesmo acreditam que a culpa é delas por se sentirem inferiores.

Nós dizemos NÃO a violência à mulher.  Dizemos NÃO á manipulação mental do agressor. Dizemos NÃO á inversão de culpa. Dizemos NÃO ao estupro. E dizemos NÃO á pedofilia.

Se conscientize, conscientize as mulheres ao seu redor,  não se cale diante de um relacionamento abusivo, ao menor sinal de abuso ligue na central de atendimento à Mulher (180), serviço da Secretaria de Políticas para as Mulheres. A denúncia é anônima e gratuita, disponível 24 horas, em todo o país.