Um filme sobre amadurecimento sob a perspectiva de uma jovem com autismo.




Chega um momento em nossa vida que devemos nos livrar de certas cordas em nossa vida. Essa é aquela hora em que partimos pra uma jornada própria, sob responsabilidade de ninguém, apenas nós mesmos. Essa é a hora da vida que devemos amadurecer, se tornar independentes e encará-la de frente. Em outras palavras, essa é a passagem da juventude para a vida adulta. É nesse período que também devemos provar para todos em nossa volta que estamos prontos. Agora, imagine tudo isso somado ao agravante de ter Autismo, um transtorno que prejudica a capacidade de se comunicar e interagir? Esse é o desafio da personagem protagonista de 'Tudo que quero' (Please stand by).

Dirigido por Ben Lewin (As sessões), 'Tudo que quero' narra a história de Wendy (Dakota Fanning), uma garota de 28 que está prestes a encarar o maior desafio de sua vida. Ela é inteligente, adora dançar, além de ser amante de Star trek. Ao saber de um concurso em um programa de TV, Wendy pega seu cachorro e mais alguns trocados para ir em busca de seu objetivo: Entregar seu roteiro de Star Trek. Além disso, Ela também quer provar sua independência para sua irmã (Alice Eve).

O filme tem elementos de um bom drama familiar e um road-movie, além de ter bons momentos de humor. Wendy é uma personagem fácil de se conectar, e Dakota faz um bom trabalho. É uma garota que está a todo momento tentando se provar e ao mesmo tempo tem uma enorme insegurança. Além de ser profunda, Wendy é detentora de uma ingenuidade e inteligência que rendem boas risadas. Porém, o filme falha em tornar palpável suas poucas relações com amigos e família. Falamos sobre isso mais pra frente.

As relações de Wendy




Scottie (Toni Collete), é a psicóloga responsável por Wendy na casa especial para autistas em que ela mora. Toni é excelente, e sua personagem tem o papel de nos inserir dentro da mente da nossa protagonista, com diálogos que nos mostra como pessoas que estão no espectro autista se comportam e lidam com as adversidades. Esse é mais um acerto do roteiro, que nos deixa a par do transtorno de nossa protagonista sem diálogos muito expositivos.

Porém, se o filme acerta no humor e em sua protagonista, ele acaba errando nas relações entre os personagens. Audrey (Alice Eve) é a personagem menos atrativa do filme, ela é responsável por fazer a contraparte de Scottie. Seu pouco conhecimento sobre o transtorno de sua irmã faz ela ter aquele preconceito bem presente na sociedade. Mas, ao tentar adicionar drama na relação das duas irmãs é onde o longa se perde. Audrey não te profundidade, ou seja, não conseguimos nos conectar com a personagem ou entender o que ela sente. Fora isso, também temos uma tentativa falha de uma metáfora dentro do roteiro de Wendy sobre o relacionamento das duas. Aliás, o arco entre Scottie e seu filho também soa um pouco fora de lugar, servindo apenas para alguns momentos de humor.

Wendy acaba se tornando a melhor coisa do filme. Dakota Fanning fez um trabalho competente que exigiu bastante de seu carisma e talento para a comédia. Muito pouco provável que o filme se torne exemplo de como lidar ou entender autistas. Mas acaba sendo uma história divertida, agradável de se ver e com uma mensagem sobre amadurecimento que serve principalmente para um público mais jovem. 'Tudo que quero' tem ideias que não funcionam muito bem, mas as que funcionam conseguem entreter e fazer refletir.