Amor, luta e liberdade é o que está em voga em A Colheita Amarga


O drama A Colheita Amarga se passa na Ucrânia de 1932. O filme conta a história de Yuri, um jovem artista, vindo de uma linhagem de guerreiros, e Natalka, seu amor de infância. Yuri percebe que não poderá seguir seu sonho de artista em sua cidade natal, então parte para Kiev em busca de uma vida melhor. Sua amada Natalka, entretanto, não pôde segui-lo por conta da saúde de sua mãe. O romance é retratado com o genocídio ucraniano, conhecido como Holodomor, como pano de fundo.

A fotografia do filme é artisticamente bela, assim como as cores mostradas no início. Conforme o enredo vai se desenrolando e a situação da população vai ficando mais crítica, o diretor George Mendeluk utiliza um retrato mais escuro, com cores muito sóbrias para mostrar a seriedade do problema apresentado: o genocídio e a fome.

O filme possui uma história muito interessante, mas que não é tão bem explorada pelo diretor. Os roteiros são formados por frases clichês, o que faz o filme ser inteiro com frases prontas, que procuram “chocar” o telespectador. A transformação de Yuri em um guerreiro foi pouco explorada, não mostrando muito como o jovem artista largou seu pincel para usar armas e proteger seu povo, e principalmente, sua família.


A exploração da tragédia


O longa também não explora a transformação dos amigos de Yuri em líderes do partido comunista. Parece que não foi preciso uma trajetória para chegar no alto escalão do partido que apoiava as medidas tomadas por Lênin e Stalin. Mas o mais doloroso é ver que o fato histórico mais importante, aquele que deveria ser o principal do filme: o Holodomor, é retratado de forma rasa e romantizada. Há algumas cenas impactantes, como as que mostram corpos sendo jogados em valas, mas não é possível ver a densidade do problema, o horror do acontecimento real. Como se nem todos tivessem sofrido tanto com a fome, como se a morte tivesse sido seletiva e matado poucos.

No mais, Colheita Amarga tinha tudo para ter sido um filme bom, no entanto as atuações, a forma rasa em que seu conteúdo é mostrado, os diálogos pobres, as diversas pontas soltas deixadas e o mau uso de efeitos criados deram um ar de amadorismo ao longa. Claro que nem tudo deve ser descartado e criticado, mas a impressão que fica ao terminar o filme não é boa, sem contar que é esperado um desfecho, mas o filme acaba ficando sem um final de fato.

Entre altos e baixos, uma questão

Analisando o filme me deparei com uma pergunta triste que não permeia só este filme, mas muitas outras grandes produções cinematográficas: Será que um tema interessante e pouco discutido, uma fotografia agradável e um rosto bonito como protagonista fazem um filme ser realmente bom ou apenas nos dá essa impressão?

Assim, podemos dizer, que o filme só pode ser considerado aceitável se são descartados certos detalhes e se focarmos na mensagem que o diretor quis passar: ninguém pode roubar sua liberdade.

O longa “A COLHEITA AMARGA” estreia nesta quinta-feira, dia 24 de maio.


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A Colheita Amarga


Ficha Técnica

Direção: George Mendeluk
Elenco: Max Irons, Samantha Barks, Terence Stamp
Gênero: Romance
País: Canadá
Ano: 2017
Duração: 103 min
Classificação: 14 anos

 

Por Julia Donini
@jujuddonini