“Destructionis a Formofcreation”


Deixando no espectador inúmeras perguntas e reflexões, Aniquilação (2018), a mais recente obra de Alex Garland, diretor de Ex-machina (2014), segue a tendência não muito mainstream dos filmes de ficção científica herméticos e misteriosos, mais preocupados em causar no espectador uma experiência multissensorial e introspectiva do que costumam as produções hollywoodianas.

Na trama, a personagem principal vivida por Natalie Portman é uma cientista que vê seu marido, interpretado por Oscar Isaac, se ausentar por longo tempo em uma missão secreta para o exército. Ao retornar, não parece mais a mesma pessoa, e após apresentar sérios problemas de saúde é novamente levado pelas forças armadas, e sua esposa acaba envolvendo-se sem muita escolha com o mundo desconhecido de Aniquilação, quando vida e sobrevivência se confundem.

É assim que, pouco tempo após a volta de seu marido, a personagem se vê numa expedição arriscada e fascinante rumo à Área X: um local surgido misteriosamente na Terra que, funcionando dentro de suas próprias leis, expande-se absorvendo e transformando toda a forma da vida como a conhecemos. A jornada foi também enfrentada anteriormente por um grupo no qual estava seu marido, único a voltar inteiro, embora gravemente ferido. É exatamente o que motiva a personagem a buscar compreender o desconhecido na Área-x, não suportando ver seu marido falecer sem poder ajudá-lo.


O caos pode ser deslumbrante


Junto a ela estão as personagens vividas por Tessa Thompson, Gina Rodriguez e TuvaNovotny, que têm suas fortes personalidades e motivações bem desenvolvidas ao longo da trama, o que se mostra especialmente importante para desenrolar do roteiro: o deslumbrante mundo da Área-x, com suas leis biológicas próprias, aflora a natureza de cada indivíduo que se torna parte de seu ecossistema. Dentro da Área-x, parece fazer sentido a obscura frase de Donnie Darko na Sci-Fi homônima de Richard Kelly: “destructionis a formofcreation”*.

Apesar do título impactante, que remete à ruina e ao extermínio, a Área-X pode aflorar, na verdade, o sentimento de transformação em seu espectador, assim como o faz nas personagens. A natureza poderosa e deslumbrante de Aniquilação talvez não esteja tão longe assim da nossa: deslumbrante e implacável, pode tanto absorver gentilmente quanto destroçar as formas de vida que se misturam a ela. Por isso arrisco dizer que aqueles que procuram uma ficção com perguntas respondidas e mastigadas podem não se deixar absorver pelo longa, mas os que estiverem abertos à experiência talvez sejam docemente envolvidos pelos mistérios da Área-X.

*Tradução livre: destruição é uma forma de criação.

Já postamos aqui sobre o filme antes, se quiser saber mais sobre essa obra, acesse "Aniquilação: O terror e a beleza do inexplicável". Para esse e outros artigos sobre seus filmes e séries preferidas, continue acompanhando o Pipocando Notícias! <3