O martírio vivido por Gael Garcia Bernal em "Se Você Soubesse"


O sonho de imigração europeia é subvertido no primeiro longa da cineasta Joan Chemla, "Se Você Soubesse".  Num retrato da periferia francesa e, especificamente de uma comunidade cigana, o longa traz à tona a marginalização. Daniel, protagonizado por Gael Garcia Bernal, é um cigano que ganha a vida aplicando pequenos golpes; ele e Costel (Nahuel Pérez Biscayart) são grandes amigos, tal parceria é contada através de flashs, onde vemos toda as dificuldades de se viver de maneira quase que invisível. Sem muitas opções, Costel junta-se a Daniel nas atividades ilegais, mas logo sofre um acidente e morre. E é esse fato que carrega os eventos posteriores.

[caption id="attachment_3825" align="aligncenter" width="896"] Divulgação: 'Se Você Soubesse'.[/caption]

Costel morre. Daniel também morre, de culpa. A impressão que tive foi que a morte do seu parceiro representou uma dívida vitalícia que ele tinha que pagar à família de Costel, à comunidade e, principalmente, para si mesmo. Num exílio interno, Daniel sobrevive dentro do Hotel Metropole, onde ninguém esconde suas mazelas, e lá encontra uma válvula de escape, Francine (Marine Vatch), por quem se apaixona.

[caption id="attachment_3824" align="aligncenter" width="914"] Divulgação: 'Se Você Soubesse'.[/caption]

O que mais me chamou a atenção foi que no filme a morte se torna muito expressiva. E não a morte fisicamente dita, mas a forma com que as pessoas que são excluídas socialmente, no caso, Daniel, se mata o tempo inteiro por dentro. Esse martírio ecoa durante todo o filme.

"Se Você Soubesse" tem uma maneira particular para captar essas sensações, hora te deixa atento, hora enojado, hora até esperançoso. Transmite uma reflexão sobre questões políticas-sociais, mas principalmente, sobre a sobrevivência. Fiquei apaixonada pelo personagem do Costel  vivido por Nahuel Pérez Biscayart que, mesmo que pouco, trazia um significado [piegas e funcional] de "rosa no asfalto".

O filme já está disponível, claro, como eu sempre comento aqui na coluna, somente nas plataformas streaming. Inédito no Brasil. Sério que você vai perder Gael Garcia Bernal pela primeira vez atuando em francês? Prepara a pipoca, cinéfilo.

 

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