Apostando em uma trama mais contida, 'Jurassic World: Reino ameaçado' inova, mas acaba caindo na previsibilidade.


O primeiro filme dessa nova trilogia Jurássica foi um sucesso, tanto que até pouco tempo atrás era a terceira maior bilheteria de todos os tempos. Então, era lógico que se esperasse uma sequência à altura e que repetisse o sucesso. E para esse filme trocaram o diretor, agora Colin Trevorrow assina apenas o roteiro e fica na produção. Na direção do longa entra J.A. Bayona (de 'O Impossível'), que foge do estilo do primeiro filme, mas ao mesmo também não cria algo que transcenda a linha do comum. Podemos dizer que 'Jurassic World: Reino ameaçado' é uma sequência que respeita seu antecessor, porém, não cria nada que o sustente, ou que adicione ao que foi criado anteriormente.

Owen (Chris Pratt) e Claire (Bryce Dallas Howard) retornam à ilha Nublar para salvar alguns dinossauros, já que um vulcão ameaça a vida deles. Porém, descobrem uma conspiração que não coloca somente a vida dos dinossauros em perigo, mas também o mundo. Essa é a premissa inicial do filme, e todos os mais de 120 minutos do longa desenvolvem apenas isso. Os personagens se tornam desinteressantes e até as criaturas desextintas, que eram cheias de carisma, acabam não tendo muito espaço dentro da trama mal resolvida.


Personagens que não convencem.


O grande problema do filme está em seu roteiro. Nada funciona muito bem, desde os personagens que não têm um arco definido, até a história que os guia, que não tem nenhum atrativo ou reviravolta que nos mantenha interessados. Bryce Dallas Howard é um talento desperdiçado. Se no longa anterior sua personagem tinha um papel bem definido, aqui ela apenas é levada pelos acontecimentos. Chris Pratt apenas repete o que já fez, nenhuma evolução é percebida. Seu personagem acaba virando uma espécie de John McClane só que sem profundidade alguma. E para fechar o combo de personagens mal desenvolvidos, temos dois coadjuvantes que servem como um alívio cômico falho, uma Blue apenas repetindo o papel, e um vilão raso. O dinossauro antagonista do filme de 2015 era assustador e mortal. Porém, aqui temos uma criatura que tem uma boa apresentação, mas que em nenhum momento nos desperta o medo necessário.

Uma das coisas que me chamou atenção foi o tanto que contiveram a trama dessa vez. Anteriormente vimos um parque inteiro sendo destruído, mas nesse filmes passamos a maior parte do tempo numa mansão. Me lembrou bastante Resident Evil. Aliás, esse cenário deu espaço para o diretor J.A. Bayona inovar e trazer um ar de terror, com algumas cenas bem filmadas e com movimentos de câmera que evocam um estilo slasher. Porém, nem esses momentos salvam esse filme de ser apenas um amontoado de ideias mal desenvolvidas com plot twists desinteressantes para a própria trama. Existe uma reviravolta que tinha tudo para abrir um leque de caminhos para a franquia. Mas, no final da sessão só deixou um sentimento de que não vão aproveitar isso.


Jeff Goldblum apareceu apenas para dizer frases de efeito.


'Jurassic World: Reino ameaçado' está tendo uma repercussão parecida com seu antecessor. Provavelmente vai fazer muito dinheiro e sua sequência tem tudo pra ser uma aventura cheia de possibilidades. Mas, olhando para esse filme tenho medo do que vem a seguir, provavelmente ele só serviu para que a cena final acontecesse. Espero que o próximo siga o espírito de 'Jurassic Park', e que não duplique os erros de Reino ameaçado. É triste ver que ao mesmo tempo que inova, ele cai nos clichés e se torna um festival de previsibilidade.