Aos olhos de uma eterna criança, "Anne With An E" continua fantástica!



"Anne With An E" é uma das séries originais Netflix que valem a pena. Baseada no livro "Anne de Green Gables", de Lucy Maud, a série discute assuntos de suma relevância sob a ótica leve e pura de uma criança. Na série, Anne é uma pequena órfã que é adotada por engano pelos irmãos Marilla e Matthew Cuthbert, que esperavam um menino. Mas a chegada da menina ruiva faladeira provoca uma série de desencadeamentos e encantos na família e na pequena cidade.

Na primeira temporada, Anne trava uma batalha com a aceitação. A jovem que é má vista pelos vizinhos se vê como uma estranha. Experiências como o primeiro dia de aula são instigantes e dolorosas. Mas, dona de uma personalidade incrível, Anne sempre leva o melhor das coisas e é impossível não amá-la.


Feminista acidental



Uma das coisas que mais me brilharam os olhos quando assisti a série, é o modo como Anne transforma tudo em poesia. O modo com que se expressa é transparente e lindo! Total mérito da jovem atriz Ambeth McNulty, selecionada entre 1800 jovens por sua capacidade de dicção. É incrível como cada diálogo colocado por ela carrega sonoridade, dinamismo e sobretudo convencimento. Sou apaixonada pela personagem da Anne e pela mulher que ela foi desenvolvida para ser. Protagonismo feminino que se estende para trás das câmeras. É nítido no elenco que a quantidade de personagens mulheres é maior, mas na equipe também. A criadora da série, Moira Walley-Beckett denomina Anne como "feminista acidental".

Com sete episódios na primeira temporada, a segunda foi um presente. Com três episódios a mais, "Anne With An E" é ainda mais cativante. A série retoma a sequência anterior, com a suspeita visita de dois hóspedes que vêm a cidade. A trama cresce junto a quantidade de episódios, podemos conhecer mais sobre Gilbert Blythe e outros personagens secundários. Sem perder o protagonismo, vemos Anne se debruçar sobre outros temas,  como o despertar da sexualidade.


A arte de transformar drama em poesia



Além disso, as subtramas exploram mais sobre os dilemas da era vitoriana. Homossexualidade, racismo, educação também estão em pauta. Apesar de ser quase no final da temporada, a chegada da nova professora representa a chegada de uma nova perspectiva. E em poucos episódios vemos o quanto podemos ser relutantes a mudanças. Com uma temática atemporal, a segunda parte da série vem ainda mais otimista e deixando um espaço para mais uma renovação.

Diferente (ou não tão diferente assim) das outras produções Netflix, "Anne With An E" reserva em seus poucos episódios a conquista de um público que não se decepciona com o que vê. Criado, ilustrado e produzido com riquezas em detalhes, todo o elenco, assim como a arte e a direção de fotografia faz um trabalho incrível. Pra quem gosta de filmes com essa temática, não vai se arrepender de conferir. Romântica, poética e reflexiva, Anne mais uma vez emociona e me fez sentir na pele a frase de um grande amigo meu, "que a maturidade nunca te faça deixar de descobrir o mundo como uma criança".