'O bosque' é uma minissérie de suspense que cria um mistério envolvente e inquietante.




No mundo das séries é comum, do nada, aparecer uma produção que se torna uma ótima surpresa. Nos últimos anos eu fui surpreendido com séries como 'The leftovers', 'Dark', 'Fargo', 'Feud', entre outras. E o elo que as une é a trama se diferenciar da maioria das produções. Em 'The Leftovers', por exemplo, somos apresentados à uma história cheia de simbolismos, metáforas e diálogos reflexivos que não temos com regularidade na TV. Porém, 'O Bosque', produção francesa de 2017 que acaba de entrar no catálogo da Netflix, não tem nada de tão inovador, mas consegue encher os olhos ao entregar um enredo sem muita firula ou reviravoltas e mesmo assim surpreendente.

A premissa básica de 'O bosque' é concentrada no desaparecimento de uma garota numa cidade pequena. E, investigando esse caso, um policial e uma professora descobrem uma teia de segredos que permeiam aquela cidadezinha. A criadora da série é Delinda Jacobs, que não tem tantas produções renomadas no currículo. E talvez seja isso que faça de 'O bosque' uma minissérie sem muitas novidades narrativas.

Porém, mesmo que não seja algo que transcenda as produções do gênero, 'O bosque' tem uma qualidade textual que  a torna envolvente. Seus seis episódios são muito bem amarrados, a trama começa a desenvolver com mais desaparecimentos. E até chegar no seu ponto principal, praticamente duas histórias estão sendo contadas. O desaparecimento da garota e de outras que ainda está por vir, e o caso da professora que tem um passado sombrio.

Personagens e suas particularidades.




Mesmo com um enredo simples, a minissérie acerta em criar um grande plano de fundo no desaparecimento. E isso só se torna interessante por ter personagens cativantes. Temos o policial novo que tem uma personalidade ainda não conhecida completamente. Temos a professora que teve uma infância conturbada e cheia de mistérios, além da policial que se aproxima mais do que queria desse caso. E é claro que existem mais uma leva de personagens que são explorados conforme a história vai se desenvolvendo, cada um tendo um papel necessário no avançar do mistério.

Entretanto, a série peca nos episódios centrais. O roteiro acaba distanciando as tramas, fazendo com que todo esse plano de fundo fique cansativo em certos momentos. Outro ponto negativo pode ser o flerte com o sobrenatural que a trama faz várias vezes. Mesmo quando a ideia é deixada de lado, ela volta a aparecer em alguns pontos, trazendo uma certa estranheza e fazendo a audiência questionar diversos elementos que passam pela história.

'O bosque', mesmo com seus problemas e clichés, consegue ser autentico até certo ponto. Diferente de 'La casa de papel', por exemplo. Na minissérie temos pontos na trama que parecem mais como referências do que reciclagem, como na história do roubo da casa da moeda.

Charmosa e chamativa.




As locações de 'O bosque' são muito chamativas. As filmagens aéreas do bosque são sempre muito bem feitas, e na maioria das vezes reflete o sentimento da situação em que os personagens estão. A direção é segura e não ousa muito, mas a fotografia remete à filmes como 'Zodíaco' ou até 'Garota exemplar'. Sempre com um ar melancólico e frio que faz o telespectador "sentir" todo aquele drama.

No fim, essa produção francesa nos entrega uma trama fechada e bem resolvida. Todos os pontos são esclarecidos e o mistério é daqueles que nos faz duvidar de todos os personagens. Talvez falte um pouco de ousadia e inovação. Mas é em seu estilo simples e focado no texto que mora a riqueza dessa minissérie. Curto, bem-feito, bem amarrado e com uma identidade visual chamativa. 'O bosque' é uma produção que, em meio ao mar de conteúdo que é lançado na Netflix, merece sua atenção.