Criada pela parceira entre Blumhouse e Netflix, 'Ghoul: Trama demoníaca' entretém aceitando suas limitações.


Confesso que nem sabia dessa parceria entre a Netflix e Blumhouse, produtora responsável por filmes como 'Sobrenatural', 'Fragmentado' e 'Corra!'. Na última Comic con experience tive o prazer de ver um painel com Jason Blum, e foi aí que percebi que ele não é apenas de um bom produtor de terror. Ele tem visão e investe da maneira certa em histórias que tentam fugir do cliché. E é em 'Ghoul: Trama demoníaca' que temos a maior prova disso. Essa nova minissérie original Netflix se passa na Índia e explora uma criatura do folclore árabe.

Radhika Apte interpreta Nida Rahim, uma jovem cadete do exército que é designada à uma missão que consiste em arrancar informações de um terrorista. A prisão para onde ela é mandada é especializada em tortura e vão fazer de tudo para alcançar seus objetivos. Aliás, o longa acompanha uma Índia distópica que é governada por um autoritarismo e os direitos dos cidadãos são cada vez mais podados. Porém, o terrorista que será interrogado parece ser mais do que aparenta.

Quando assisti, percebi que a série tinha uma estrutura diferente. Normalmente, em tramas sombrias, o elemento  de terror é inserido logo no primeiro episódio sem deixar dúvidas quanto ao caminho da produção. Mas em 'Ghoul: Trama demoníaca' o inicio apenas flerta timidamente com esse assunto. Depois de assistir pesquisei sobre a minissérie e descobri que foi produzida como filme, mas a Netflix decidiu transformá-la em três episódios.

O terror crescente.




Nossa protagonista é um dos pontos fortes da produção. Seu patriotismo exacerbado proveniente de seu fanatismo pelo governo autoritário a fez entregar o próprio pai para as autoridades. A personagem se vê diante das consequências de suas escolhas a todo momento, sempre questionando a natureza das ordens que segue. A dúvida da personagem move bem o seu arco e o talento da atriz contribui muito pra isso.

O filme deixa bem evidenciado o baixo orçamento. Porém, a produção é inventiva e mesmo carecendo de efeitos mirabolantes há boas sacadas na hora de criar terror. Há alguns jump-scares e cenas realmente horripilantes usando apenas cenário e boa fotografia (leve em consideração que sou bem medroso).

Se a protagonista é boa, não posso dizer o mesmo do resto dos personagens. Nenhum tem profundidade suficiente para nos fazer tem alguma empatia e quando acontecem mortes o pensamento que é de: Apenas mais um. Mas tenho que confessar que os conflitos criados em meio àqueles acontecimentos são interessantes e despertam uma certa curiosidade com o desenrolar. Aliás, somos quase sempre pegos com novas informações principalmente ligadas aos presos.

Um terror que entretém.



'Ghoul: trama demoníaca' é uma minissérie que tenta falar mais do que está mostrando. Usando como plano de fundo uma Índia fascista até que alguns debates ameaçam surgir, mas acaba sendo tudo muito raso. Perto do fim, o roteiro começa a ligar os pontos, mas tudo de forma acelerada. Motivações, plot twist e resolução da trama acabam sendo mostrados em praticamente 15 minutos. Talvez devessem trabalhar um pouco mais a mitologia por trás do Ghoul, ou até os coadjuvantes.


Numa semana que teve a estreia de 'Os Inocentes', 'Ghoul: Trama demoníaca' acabou sendo o maior destaque pra mim. Sua simplicidade não atrapalha de ser um bom entretenimento pra quem curte tramas sombrias com pitadas de Slasher. Não chega nem perto de ser uma grande obra inesquecível, mas é uma boa porta de entrada para produções Indianas na Netflix, que inclusive já conta com 'Jogos Sagrados'.

'Ghoul: trama demoníaca' está disponível completo na Netflix.