'Tal Pai, tal Filha' é uma divertida comédia sobre relacionamentos.




É muito recorrente a discussão sobre a interferência que a tecnologia causa nos relacionamentos. Muitos costumam citar o exemplo das reuniões familiares que sempre têm aquelas pessoas que se isolam no mundo virtual. Pessoas que dão muita importância para redes sociais ou que trabalham com isso são as que mais cometem esses atos. O sacrifício dessas relações pela tecnologia também é perceptível até quando as pessoas não estão ligadas diretamente ao virtual. Em agências de publicidade, por exemplo, é muito comum a romantização do expediente depois do horário, ou o hábito de passar noites em claro. Situações como essas são abordadas com bom humor na nova comédia da Netflix: 'Tal Pai, Tal Filha'.

Imagine que você é uma workaholic viciada em smartphone (Kristen Bell). Agora imagine que seu noivo te larga no altar em seu casamento. Agora junte tudo isso à aparição de um pai (Kelsey Grammer) que esteve ausente por 26 anos. Agora complete essa soma com uma viagem de cruzeiro com essa figura paterna questionável. Pronto, você tem a trama de 'Tal Pai, Tal Filha'.

Temos Lauren Miller roteirizando e estreando na direção de um longa. Dá pra perceber sua sensibilidade ao tratar do relacionamento entre pai e filha sem "glamourizar" o abandono. Também é interessante o fato dela escrever dois personagens que ao mesmo tempo que são distintos, também compartilham diversas atitudes em comum.

Um cruzeiro estranho.




A maior parte do filme se passa num cruzeiro, onde seria a lua de mel da protagonista. Porém, depois de uma noite de bebedeira, ela leva seu pai e agora os dois vão ter que se aguentar até o fim daquela semana. No início os dois tentam não se aproximarem, mas ao passar do tempo eles percebem que devem conviver para passar melhor pela situação.

Como alívio cômico temos três casais que andam juntos com os dois. Cada casal tem sua particularidade, e a junção de todas essas pessoas rendem muitos momentos cômicos. Aliás, o humor desse filme é bem sucedido por investir mais em "tiradas engraçadas" do que em piadas do estilo pânico ou personagens passando vergonha. E até os alívios cômicos não são caricatos, todos se comportam como pessoas normais. Diferente do tipo de filmes iguais do Adam Sandler.

'Tal Pai, Tal Filha' só melhora conforme a trama avança. A escolha de criar dois protagonistas que têm diversos pontos negativos também é um acerto, pois nenhum deles sai como mocinho ou vilão. A jornada de cada um, além de se entenderem, é para um ajudar o outro a crescer como pessoa. Aliás, a atuação da dupla principal é um ponto a ser considerado. O carisma de Kristen junto com o jeitão sério de Kelsey rendem bons momentos. Temos até uma participação de Seth Rogen, mas nada muito marcante.

A vida fácil.




Porém, 'Tal Pai, Tal Filha' tem uma falha que para mim diminui algumas escolhas do filme. E essa falha é relacionada à conclusão dos conflitos que os personagens enfrentam. Você passa mais de uma hora vendo um problema e ele acaba sendo resolvido com três linhas de diálogo. Mas, nada que seja tão ruim a ponto de estragar a experiência com o longa.

Numa leva de filmes tão abaixo do esperado, 'Tal Pai, Tal Filha' acaba sendo um refresco para quem procura um bom entretenimento na Netflix. É uma comédia que trata de temas que sempre estão em alta sem muita firula. É aquele tipo de filme leve e cliché que nos agrada pelas pequenas diferenças que ele nos apresenta.

Essa longa propaganda da Royal Carib... OPS... Esse filme está disponível na Netflix.