Crítica - Star Wars - A Ascensão Skywalker

Fim da história dos Skywalker é marcado por acontecimentos apressados e mal desenvolvidos, além de escolhas de roteiro duvidosas e deixar um gosto de "poderia ter sido melhor".


George Lucas iniciou Star Wars dando um grande passo em criatividade e incitando vida própria ao desconhecido universo que rodeia o nosso planeta azul. Porém, a estrutura de roteiro é a mais clássica possível: a Jornada do Herói de Joseph Campbell. O herói de vida simples, no caso a figura carismática de Luke Skywalker (Mark Hamill) é apresentado a aventuras em que ele jamais sonhou estar. E sob motivações próprias e conduta moral, Luke enfrenta desafios enquanto aprende e muda a si mesmo. Temos até mesmo a clássica figura do herói e seu mentor, aqui configurado no lendário Mestre Yoda. Além da épica luta entre o bem e o mal em que Star Wars tudo tende a ser - até certo ponto - preto no branco.

Apesar dos problemáticos filmes prequels, a história sobre a origem do vilão Darth Vader, principalmente por serem criações e produções do próprio progenitor da franquia, respeitava o próprio universo e expandiu o leque de conhecimento que os fãs tanto queriam. Então, quando surgiu a notícia que a Disney continuaria a história dos Skywalker trazendo-a para a nova geração, muitos fãs se empolgaram e era a chance dos mais jovens conhecerem e se aproximarem de uma das maiores franquias da história do cinema.


Critica - Star Wars - A Ascensão Skywalker













O primeiro filme da trilogia sequela foi dirigida por J.J Abrams, diretor do bem recebido filme de Star Trek e para muitos ele tinha o que era necessário para dar vida nova à saga. Star Wars: O Despertar da Força foi muito bem recebido ao trazer a tão esperada nostalgia com personagens antigos, como agregar jovens protagonistas que aproximaram o público recém chegado da icônica franquia. Por isso, a responsabilidade de manter o nível recaiu sobre a continuação Os Últimos Jedi que, apesar de bem avaliada pela crítica, não agradou aos fãs ao ousar quebrar paradigmas sempre tão estáveis na trama dramática de Star Wars. E todos sabem que o que inserta dinheiro no bolso das produtoras é o grande público e os fãs. Dessa forma, a Disney optou por chamar novamente J.J Abrams para fechar a trilogia e por um fim na história dos Skywalker, deixando mais evidente o grande problema criativo que esses três últimos filmes enfrentaram ao sofrer com a falta de um nome para tomar as rédeas de Star Wars, como Kevin Feige é para o Marvel Studios.

Direção competente nunca faltou a nenhum filme de Star Wars, mas o problema sempre foram os roteiros. E em "Star Wars: Ascensão Skywalker" isso fica mais claro do que nunca. A fotografia encantadora e os planos grandiosos não recebem o devido tempo pois os protagonistas estão todos desvairados numa aventura acelerada onde elementos se seguem uns aos outros por elos frouxos, forçados e mal trabalhados. Cada passo se apresenta de forma simplista. E o que é para ser empolgante acaba causando estranheza.

Na história, alguém está aparentemente criando um super exército de naves para tomar de uma vez por todas o universo, acabando com a Resistência definitivamente. Enquanto isso a misteriosa ligação de Rey (Daisy Ridley) e Kylo Ren (Adam Driver) começa a avançar perigosamente. Um ponto positivo do filme é que ele resgata o espírito de aventura pouco explorado em seu antecessor. Apesar de pouco justificada na parte Rey-Poe Dameron, os protagonistas estão harmoniosamente bem relacionados. Nos momentos de maior tensão em que nos Últimos Jedi fomos surpreendidos, em Ascensão Skywalker temos vários passos para trás onde problemas grandes se resolvem facilmente e, em meio ao ritmo agitado, coisas importantes são banalizadas e, quando se aproxima o arco final, já estamos desgostosos com o que estamos vendo.


Critica - A Ascensão Skywalker










Sem dúvida cada decisão no final do filme poderia ser polêmico: algo que Os Últimos Jedi brincou, aqui era coisa séria. A conclusão definitiva poderia facilmente agradar como desagradar a muitos. E, dada as polêmicas da produção desde o lançamento de O Despertar da Força, os produtores optaram pelo feijão-com-arroz, deixando a capacidade de impressionar simplesmente para as lutas e o coringa já previsto: o saudosismo. Porém, em querer agradar gregos e troianos, o filme balança numa corda bamba de decisões duvidosas e potencial mal explorado. E particularmente acho muito difícil as semelhanças entre Star Wars: A Ascensão Skywalker e um fim de saga recente como Vingadores: Ultimato serem apenas coincidências de produtoras que habitam a mesmo multinacional.

No fim das contas Star Wars: A Ascensão Skywalker foi um grande potencial desperdiçado e que merece futuramente virar fonte de trabalho para estudiosos de cinema, marketing e administração empresarial pois acabou explodindo com a granada na mão graças a produtores e executivos temerosos com a recepção do público que é responsável pelo pagamento de seus salários. Se avaliado individualmente o filme funciona e entretêm, mas Star Wars é mais do que filmes feitos separadamente que conversam entre si. Eles devem ser amarrados e se respeitarem. George Lucas pode não ser o melhor diretor do mundo, mas sabia escrever um roteiro e era lúcido quanto ao seu objetivo inicial: Star Wars sempre foi uma novela intergaláctica onde na verdade o universo girava ao redor de uma família e seus amigos. Estes que passaram definitivamente o bastão de guardiões espaciais para a nova geração. E este é o sustento desta nova trilogia: como os jovens podem honrar e dar prosseguimento às lutas das antigas gerações.

Isto fica muito claro na conversa entre Poe Dameron e Lando Calrissian.



Crítica por: Roberto Júnior