Arlequina: Aves de Rapina | Crítica Sem Spoilers

Filme da DC é tudo o que Esquadrão Suicida deveria ter sido e bebe totalmente na fonte de Deadpool, divertindo pela comédia, impressionando pela ação e nos envolvendo pela trilha sonora.



A ideia de trazer para os cinemas um filme sobre as Aves de Rapina, mesmo que sendo sustentada pelo sucesso e carisma de Alerquina foi uma estratégia que trouxe pouca confiança. Pois se em Esquadrão Suicida houve uma grande decepção, aqui não se criaram grandes expectativas. Porém a equipe de produção do filme aprendeu com os erros de seu predecessor e investiu em todo o seu potencial desperdiçado. Para começar o estilo já estava predeterminado e o rumo, traçado. Isso se percebe desde a apresentação das personagens que compõe a equipe à qual o filme se concentra. Todas têm motivos convincentes para estar onde estão e fazer o que fazem. Aqui habita a parte mais criativa do filme, que são os caminhos estreitos e eficazes que conectam a história/motivação das personagens e a fluidez com que elas se reúnem.

Na história cinco mulheres acabam se cruzando e reúnem suas capacidades para acabar com o império de poder de um homem. Após Coringa e Alerquina terminarem, ela passa a se aproveitar do status de namorada dele mesmo os dois não estando mais juntos, enquanto ela lida com a dor do rompimento. Porém, quando ela dramaticamente decide seguir em frente e deixa todos saberem da separação, ela tem de lidar com várias pessoas perseguindo-a em busca de vingança agora que ela não está mais sob as asas do palhaço do crime. Margot Robbie segura o filme com total facilidade e se entrega totalmente ao papel. Alerquina é boa em improvisação, sabe lutar e é totalmente decidida em seus atos malucos, deixando claro que está longe de ser heroína. E se vê aqui até mesmo sombras pontuais da psicóloga analisadora de outrora.


Arlequina: Aves de Rapina | Crítica Sem Spoilers


Canário NegroJurnee Smolleyy-Bell – trabalha na boate do vilão e tenta seguir sua vida normalmente mas acaba se envolvendo nos crimes do seu chefe. Jurnee exprime naturalidade e eficiência. Cumpre bem tudo o que seu papel pede. Renee Montoya é a policial que está investigando Máscara Negra. Aqui é onde habita os sutis discursos feministas do filme, mostrando uma policial desvalorizada em seu meio por ser mulher.

CaçadoraMary Elizabeth Winstead - é a personagem que tem a história de origem mais interessante quanto à relação com o vilão. Embora pouco aproveitada, a personagem tem um grande potencial. Sua motivação de vingança se aperta para ser contada no roteiro do filme, mas consegue convencer. Mary é um rápido equilíbrio entre a postura badass reservada e a comicidade. Quanto a Cassandra CainElla Jay Basco – ela é o sistema motriz do filme. Uma garotinha doce especialista em furtos que leva para si um dos objetos de maior desejo do vilão da história. Ella Jay é, após Margot Robbie, quem mais se destaca na atuação. Em simples olhares ela consegue exprimir doçura e o equilíbrio entre sagacidade e inocência.


Arlequina: Aves de Rapina | Crítica Sem Spoilers


Máscara NegraEwan McGregor – é mimado e infantil e mostra como esses dois quesitos são perigosos em mãos poderosas. Ewan McGregor se diverte no papel e mostra o quão bem sabe trabalhar. O uso de desejo animado, a narração da protagonista louca e a história que vai e volta bebem totalmente da fonte do primeiro Deadpool. A ação potente e acrobática com planos sequência e o uso preciso de slow motion surpreendem e vieram graças ao auxílio de Chad Stahelski (renomado coordenador de acrobacias e também o cineasta por trás de toda a trilogia John Wick). E a trilha sonora de bom gosto e bem utilizada podem agradar até mesmo aos mais previamente desgostosos com o filme. Além de fotografia e paleta de cores harmoniosamente conduzidos.


Aves de Rapina tinha tudo para ser simples e até mesmo tedioso. Mas é uma grande e positiva surpresa que merece ser conferida não só por cumprir sua proposta como pelas sábias decisões que toma para conduzir o enredo e florear a si mesmo.