Sonic - O Filme | Crítica

Sonic - O Filme cumpre todos os seus objetivos e entrega uma produção divertida, sendo talvez o melhor filme baseado em games já feito.


Hollywood tende sempre a decepcionar a todos quando um filme baseado em games é anunciado. Dessa forma foi previsível o pouco hype que o filme do ouriço mais famoso dos games causou. E quando o trailer saiu, a aparência do protagonista foi uma verdadeira decepção, causando uma onda de protestos pela internet. Nem mesmo a presença de Jim Carrey voltando a fazer seus papéis caricatos que são sua marca registrada serviu para diminuir a revolta dos fãs dos games e de todos no geral. A Paramount Pictures ouviu a Internet, mudando a aparência do ouriço para algo mais próximo aos games. E desta vez não deixou a desejar, nem mesmo o filme em si.

Sonic é um ouriço antropomórfico extraterrestre capaz de se movimentar em velocidade supersônica e que é caçado por equidnas que querem seus poderes. E sua mentora, Garra Longa, manda que ele fuja através de portais abertos por anéis de ouro. E é assim que ele vai parar na Terra. Aqui, ele vive em segredo aprendendo sobre costumes humanos e adquire seu próprio estilo de vida. Porém, quando ele por acidente acaba causando um apagão em boa parte dos Estados Unidos através de seus poderes, o governo americano usa as forças armadas e um cientista genial e excêntrico para descobrir a causa do apagão. E Sonic, com a ajuda de um xerife de cidade pequena, deve ir para São Francisco para encontrar o local onde ele deixou cair o saco com os anéis-portais que o permitirão fugir da Terra antes que seja capturado.


Sonic - O Filme | Crítica


Sonic age como um pré-adolescente que é acima de tudo espirituoso. É engraçado, tagarela e com uma curiosidade infantil. Mas o que nos permite nos afeiçoarmos a ele é principalmente sua carisma. E este é o fator principal para segurar um filme de criaturas feitas por CGI. A relação entre criatura e humano é como vemos na maioria dos filmes do tipo como Alvin e os Esquilos, Zé Colmeia e etc: um humano de bom coração começa relutante em ajudar o animalzinho, mas acaba se rendendo e juntos passam por aventuras. James Marsden faz um policial engraçado, confiante e sedento por ajudar os outros e que vê em Sonic a oportunidade para ser mais útil a alguém.

Sonic – O Filme tem um ritmo muito bom e até um senso de urgência que é poucas vezes visto em produções para a família. Vai tocar no saudosismo dos adultos que jogaram os games através de referências e cenas diretas que remontam os cenários e elementos dos games – principalmente no primeiro e terceiro ato. Os jovens irão rir das piadas sobre a cultura pop e homenagens claras a super-heróis como Flash e Mercúrio. E para as crianças é prato cheio de piadas simples como danças, golpes e personagens divertidos. O CGI é muito decente e as cenas de ação não decepcionam, aproveitando com criatividade os elementos criados pelo conjunto da obra. O filme aproveita todo o seu potencial dentro dos parâmetros de uma película despretensiosa. O resultado é agradável e excelente para se assistir com toda a família. E, se mantiver o tom, o caminho para uma franquia está muito bem estabelecido. Além de ser positivamente oportunista ao utilizar um pouco de narrador-protagonista, cena do final no início e piadas com a cultura pop, que dão um tempero a mais ao filme.


Sonic - O Filme | Crítica


A cereja do bolo é com certeza Jim Carrey, que aqui volta aos seus personagens excêntricos e engraçados dos quais apenas ele poderia fazer sem sair do tom. Como levar aos filmes um vilão gordo e bigodudo que caça um ouriço veloz através de máquinas super modernas sem parecer caricato? Trazer Jim Carrey foi a carta certa sob a manga. E ele só não rouba o filme para si porque Sonic preenche a tela com sua carisma e excelente timming para a comédia e ação.