Cidade Invisível | Folclore Brasileiro e Ousadia com a Fantasia


Cidade Invisível lançada em fevereiro na Netflix conquistou o público trazendo uma série com as lendas do folclore brasileiro, se tornando uma das séries mais assistidas no mundo. Após uma tragédia familiar, um homem descobre criaturas folclóricas vivendo entre os humanos e logo se dá conta de que elas são a resposta para seu passado misterioso.

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A série vem com a ousadia de trabalhar com o gênero fantasia, pouco difundido no Brasil, na maioria das vezes pelo alto custo. Com um elenco renomado, efeitos especiais e uma mitologia brasileira vivíssima, será que agora iremos olhar as séries nacionais com mais carinho?

UMA BOA ESCOLHA?


Cidade Invisível segue o protagonista Eric (Marco Pigossi), um policial que vai fazer de tudo para descobrir os responsáveis pela morte de sua esposa Gabriela (Julia Konrad). E em sua busca incansável pela verdade, Eric descobre que existem entidades vivendo entre os humanos, essas que sempre foram consideradas lendas do folclore brasileiro. Claro, que de primeiro momento ele custa a acreditar, mas logo começa a enxergar a existência de figuras  como Saci-Pererê, Cuca e até o Curupira.


A série traz uma história com “três direções” diferentes, temos o protagonista Eric em busca de verdades sobre o ocorrido com sua esposa, e no decorrer dos episódios somos apresentados a uma empresa que pretende comprar a “aldeia” dos moradores que fazem de tudo para manter a floresta viva e os personagens folclóricos tentando se adaptarem a um “novo” mundo. Talvez este seja um ponto a ser explicado em uma nova temporada, mostrar o porquê de essas lendas estarem no Rio de Janeiro.





A cada episódio vamos desvendando aos poucos o acontecimento do epílogo e somos apresentados aos personagens e em como eles se tornaram tais lendas. Outra deixa para uma nova temporada, explicar como eles foram escolhidos, ou mostrar quem escolhe quem vai se tornar uma lenda ou qual o motivo que faz alguém ser escolhido.

Um dos destaques é a personagem Cuca (Alessandra Negrini), ela consegue te prender completamente, nós já temos uma visão da personagem como alguém ruim, mas em Cidade Invisível, surge uma leve dúvida. A personagem não dá pontos sem nó, ao mesmo tempo em que é  uma “mãezona” as demais lendas, você não sabe se ela realmente se importa ou se no fundo faz apenas para se beneficiar em algo. Sim, todos têm medo da Cuca!

ALTOS E BAIXOS ...


Talvez um dos pontos que entra no quesito “baixo” da série é a locação. Por se tratar sobre o folclore brasileiro creio que a mesma poderia ter sido gravada nas cidades de origem do nosso folclore. Talvez trazer o Rio de Janeiro como plano de fundo dos acontecimentos seja uma jogada de “venda” para conquistar o público ou até mesmo pela familiarização que a cidade tem com diversas produções. Em outro caso, pode ser que tenhamos uma explicação do porquê desses mitos estarem justo ali, no Rio.

Os pontos positivos que a série traz, além dos efeitos especiais que não deixam a desejar e nos conquistam, têm as ótimas atuações dos atores.

Marcos Pigossi consegue entregar um personagem rico e expressivo. Conseguimos sentir o drama de um homem que perdeu sua esposa, em luto e ainda tem sua filha também em luto. E também a atuação digna do ator Fábio Lago em um dos episódios quando ele “volta” a ser o Curupira, um episódio que te prende e arrepia.






E todo o contexto, efeitos especiais e atuação, são finalizados com uma trilha sonora que deixa primeira temporada “redondinha”.

Em suma, Cidade Invisível tem um resultado satisfatório, traz de uma forma bacana o nosso lindo e incrível folclore brasileiro, abrindo as possibilidades para novas produções com as nossas histórias e muito reconhecimento ao redor do mundo.