LOKI estreia com o pé direito e abre apetite para mais!


Episódio piloto de LOKI marca o tom da produção com o pé direito!

Desde o fim da Saga do Infinito na Marvel, a Casa das Ideias tem se permitido continuar/se aprofundar nas histórias de seus personagens com mais parcimônia, expandindo o seu universo já tão amplo.

Primeiramente tivemos a série WandaVision, que se aprofundou no passado da Feiticeira Escarlate, inovou na ideia de tecnologia quanto ao Visão e nos apresentou a ideia de magia clássica. Em seguida, Falcão e Soldado Invernal, trazendo a tentativa de redenção do Soldado Invernal, o modo como Falcão lida com o legado do Capitão América, numa trama que mistura a ação de Jason Bourne com a dinâmica de protagonistas de Máquina Mortífera.

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Assim, após magia com tecnologia e ação com espionagem, voltamos agora ao lado mais “existencial” da Marvel com Loki. A série se inicia remontando a saída de Loki com o tesseract na ramificação temporal pós Batalha de Nova York em que os Vingadores viajam para buscar as Joias do Infinito. Então, pouco depois somos jogados a uma trama sobre realidade e tempo.

LOKI estreia com o pé direito e abre "apetite" para mais!



Após ser jogado pelo Tesseract para a Mongólia, uma espécie de “polícia do tempo” aparece para capturar Loki e julgá-lo por aparentemente alterar o equilíbrio do espaço-tempo ou como oficialmente (finalmente) denominado Multiverso.

Primeiramente acompanhamos ininterruptamente Loki em sua problemática, sendo jogado ao desconhecido, numa realidade entre as realidades. Então conhecemos a empresa chamada TVA, responsável por não permitir que ocorra o Multiverso da Loucura (subtítulo do próximo filme do Doutor Estranho), lutando contra seres que podem alterar a realidade, os chamados Nexus.

É divertido acompanhar a altivez do vilão responsável pela primeira reunião dos Vingadores sendo esmagada pela sua total falta de poderes como Deus naquela localização específica. Da mesma forma, com muito tato, a série aproveita do carisma do personagem e sua habilidade na trapaça, para fazê-lo se adaptar à nova realidade enquanto brinca com as possibilidades. O bastão que altera o tempo é uma arma muito divertida e acrescenta humor a lá Rick e Morty que bruxuleia ao redor da essência da série.

Ainda assim seria fácil embarcar nesse ritmo até o fim do episódio, mas não seria completo sem mostrar um lado mais humanizado do protagonista. E é na cena em que Loki conhece seu “futuro”, que nós percebemos o quanto podemos nos afeiçoar até mesmo por um vilão, quando a intenção da história é essa e isso é bem feito.

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Tom Hiddleston está no auge de sua interpretação nesta cena que é como uma sessão de terapia ministrada por Mobius (Owen Wilson) que está decidido a usar o vilão para os interesses da empresa. Mais ou menos o mesmo conceito do que Agnes fez com Wanda na série prima desta ou como as sessões de terapia que Soldado Invernal é obrigado a enfrentar.

LOKI estreia com o pé direito e abre "apetite" para mais!



Em apenas um episódio, a série Loki nos apresentou um novo aspecto da Marvel a ser explorado, novos personagens e nos empolga com um mundo de possibilidades para a série em si e para o futuro da Marvel!


UMA "TRAPAÇA" ... BOA!

Este não seria o review da série do Deus da trapaça se não tivesse uma pegadinha. E sim, tive a honra de assistir o segundo episódio antes do resto do mundo. Então lá vai:

O segundo episódio mostra um Loki conformado com a trama da qual faz parte e decidido a resolver a situação o quanto antes. Desta forma, o vemos usar de sua lábia não só para tentar escapar do TVA como para ajudá-lo em seu propósito.

O episódio diminui o ritmo comparado ao piloto – o que é bem compreensível – e fornece mais espaço para a relação entre Loki e Mobius. Há uma cena de diálogo entre os dois que dita o ritmo da dinâmica de ambos, justificando sua longa duração. O personagem de Owen direciona a trama e é funcional, envolto pelo carisma de seu intérprete.

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(Não se pode deixar de apontar a divertida cena envolvendo o vulcão Vesúvio.) A narrativa avança para um lado mais investigativo enquanto tentam achar a melhor maneira de caçar o vilão pelo espaço-tempo. O primeiro ato trabalha a relação entre os personagens e Loki e seu in loco. O segundo desenvolve a caçada e investigação e o terceiro ato do episódio trabalha mais a ação. Não há nada de muito surpreendente neste segundo episódio – além de nós termos assistido sem mesmo esperar – exceto o final em aberto que deixa uma incógnita no ar.

LOKI estreia com o pé direito e abre "apetite" para mais!



Em resumo, a série mantém o espírito Marvel tanto na abrangência de sua abordagem, a carisma de seus personagens, o humor sempre presente e o quanto sabe trabalhar a nossa empolgação com o futuro de seu próprio universo.

Um exercício mental interessante é tentarmos ver este Loki com os mesmos olhos que tínhamos na época do primeiro filme dos Vingadores e não com o olhar que temos sobre ele após todos os filmes em que ele participou posteriormente. É como enxergarmos um personagem em suas várias camadas antes mesmo delas serem apresentadas a nós.