Fallout S01 E02: ‘The Target’ e a Anatomia da Sobrevivência no Caos de Filly.
Se o capítulo inaugural de Fallout operou como o “Big Bang” necessário para expandir este universo, o segundo episódio, intitulado “The Target” (O Alvo), surge como o momento em que a física e as leis sociais do Ermo postas à prova. Sob a direção de Jonathan Nolan, a série deixa de lado a introdução expositiva para mergulhar na brutalidade cômica. Além disso, no design de missões que define o DNA da franquia da Bethesda.
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O roteiro converge as trajetórias de Lucy, Maximus e o Ghoul para um único ponto de interesse: o enigmático Dr. Siggi Wilzig. Interpretado por Michael Emerson, o personagem traz consigo a aura de mistério intelectual que o consagrou em Lost e Person of Interest. Como um cientista dissidente do Enclave — os remanescentes tecnocráticos do governo dos EUA que operam nas sombras com tecnologia de ponta. Ou seja, Wilzig carrega o segredo para a restauração da civilização, acompanhado por CX404, um companheiro canino que injeta humanidade em um ambiente hostil.
Motivos diferentes e uma única missão
O desenvolvimento dos protagonistas neste episódio é um estudo de contrastes. Lucy MacLean (Ella Purnell) vive seu “batismo de fogo”. Ou seja, sua tentativa de aplicar a ética de “fazer o bem” do Refúgio 33 no mundo exterior resulta em uma colisão trágica e hilária com a realidade. Ao encontrar Wilzig, Lucy aprende que a bondade é um recurso escasso. Purnell brilha ao transitar da ingenuidade para um pragmatismo forçado. Além disso, culminando em uma cena visceral onde ela precisa lidar com a perda física de um aliado de forma definitiva.
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Em paralelo, Maximus (Aaron Moten) assume o controle da icônica Power Armor T-60, mas o episódio subverte o tropo do herói invencível. Maximus é retratado como desajeitado e moralmente ambíguo; sua luta contra o Yao Guai — um urso mutante cujo design de maquiagem e efeitos visuais é uma obra-prima de horror biológico, exibindo tumores e radiações geracionais — revela que a armadura não o torna um deus, apenas um alvo mais visível para o medo.

Enquanto Lucy é a luz e Maximus o cinza, O Ghoul (Walton Goggins) consolida-se como a escuridão absoluta. Sua introdução em “The Target” como um rastreador implacável é puro Western; ele não busca redenção, mas sim os produtos químicos que garantem sua lucidez. A precisão fria com que ele “conserta” a situação de Wilzig com um tiro estabelece o tom implacável da série. Esse realismo, estendido aos detalhes técnicos, como o uso dos Stimpaks. Longe de serem apenas “power-ups” de vídeo game, os itens de cura tratados como intervenções médicas viscerais. Ou seja, vemos a agulha penetrar a pele e o alívio imediato, porém realista, reforçando que a dor é a única constante no Ermo.
Em suma, Fallout S01 E02
A construção de mundo atinge seu ápice na cidade de Filly. O design de produção de Howard Cummings, construído sobre um lixão de entulho pré-guerra com uma economia baseada em tampinhas (Caps), é uma homenagem direta aos jogos Fallout 3 e 4. A trilha sonora continua a utilizar clássicos do jazz e country das décadas de 40 e 50, criando uma dissonância cognitiva poderosa: ouvimos canções sobre amor e céus azuis enquanto o Ghoul consome carne de procedência duvidosa nas ruínas.
O episódio termina com um sacrifício necessário de Wilzig, transformando a busca de Lucy por seu pai em algo monumental: a caça por um objeto que detém o destino da raça humana. “The Target” confirma que a série não tem medo de ser estranha e profundamente filosófica sobre o que sobra da humanidade quando restam apenas cinzas e segredos.
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