Fallout S01E01: ‘The End’ e a Maestria de Jonathan Nolan na Construção de um Apocalipse Satírico.
A saber, o episódio inaugural de “Fallout” no Prime Video, intitulado “The End”, não se limita a ser uma introdução. Ele opera como uma detonação cultural que redefine os padrões de adaptação para a mídia dos videogames. Então, sob a direção cirúrgica de Jonathan Nolan, o capítulo captura com precisão cirúrgica o equilíbrio improvável entre o niilismo e o otimismo satírico dos anos 50. Marcas registradas da franquia da Bethesda.
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A narrativa inicia-se no brilho artificial do sonho americano em Hollywood Hills, onde o astro Cooper Howard (Walton Goggins) testemunha a aniquilação de Los Angeles. Então, a cena do prólogo é um triunfo técnico de contenção. A ausência de uma trilha sonora bombástica permite que o som do vento e a visão dos cogumelos atômicos consumindo o horizonte estabeleçam um terror tátil. Culminando no ensinamento distorcido do “efeito do polegar”. Ou seja, um momento de ternura paterna subvertido pela aniquilação iminente que dita o tom emocional de toda a série.
200 ANOS …
A transição para duzentos anos após o colapso apresenta a trindade narrativa que conduzirá a saga pelo Ermo. Então, Lucy MacLean (Ella Purnell) personifica a inocência doutrinada do Refúgio 33 (Vault 33). Entregando uma atuação que equilibra competência física e uma ingenuidade dolorosa ao subir à superfície para resgatar seu pai, Hank MacLean (Kyle MacLachlan), após uma invasão brutal liderada por Lee Moldaver (Sarita Choudhury). Paralelamente, conhecemos Maximus (Aaron Moten) e o fanatismo militar da Irmandade do Aço (Brotherhood of Steel), cuja base exala uma disciplina quase religiosa e sombria. Então, o fechamento do arco de introdução ocorre com o ressurgimento de Cooper Howard. Agora transformado no Ghoul, um caçador de recompensas imortal que mistura a aura de Clint Eastwood com o pesadelo radioativo. Ou seja, servindo como o fio condutor que une o passado glorioso ao presente pútrido da humanidade.

Sendo assim, o episódio destaca-se pelo design de produção impecável de Howard Cummings. Ou seja, onde a estética “atompunk” ganha vida através de efeitos práticos e uma pátina de uso que confere veracidade ao absurdo. As Power Armors T-60 e os Pip-Boys possuem peso e textura reais. Fugindo do CGI excessivo graças à insistência de Nolan pela fisicalidade dos trajes motorizados e animatrônicos.
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A sequência do casamento sangrento no Refúgio 33 é uma coreografia de violência extrema. Além disso, utiliza músicas alegres da era big band para contrastar com o caos documental da invasão. Uma assinatura estética que reforça o verdadeiro vilão da obra: a burocracia corporativa da Vault-Tec. “The End” encerra-se com a saída de Lucy para a luz cegante da superfície. Armada apenas com um revólver de dardos e um otimismo que o mundo exterior promete devorar. Sendo assim, consolidando o início de uma nova era para as produções de ficção científica de alto orçamento.
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