Fallout (1×04): “The Ghouls” e a cruel linha entre humano e monstro!
Se você achou que o maior perigo de Fallout eram as baratas gigantes ou a radiação, o episódio quatro veio para te dar um choque de realidade. Sendo assim, o maior monstro do Wasteland ainda é o ser humano.
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Em “The Ghouls”, a série deixa de apenas nos apresentar esse mundo destruído e começa a questionar quem realmente merece viver nele. Através da figura dos Ghouls — esses sobreviventes deformados pela radiação que vivem há séculos — a narrativa entrega um soco no estômago sobre exclusão e desumanização.
Ambições muito maiores …
O grande astro aqui é, sem dúvida, Walton Goggins. O seu Ghoul (ou Cooper Howard, para os íntimos do passado) ganha camadas que misturam um sarcasmo ácido com uma melancolia de dar dó. Ver a rotina dele e a forma brutal como ele é tratado pela “sociedade” que restou mostra que ele não é um vilão por escolha, mas por adaptação.
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Goggins consegue entregar tudo isso através de camadas de maquiagem e próteses impecáveis, provando que o talento brilha mesmo atrás de uma pele derretida.

Enquanto isso, acompanhamos o choque cultural de Lucy (Ella Purnell). A otimista habitante do Vault começa a ver as primeiras rachaduras em sua visão de mundo colorida. O encontro dela com a realidade dos ghouls a obriga a confrontar situações onde a empatia é um luxo que o deserto não perdoa. Não é uma mudança brusca, mas é o início de uma desconstrução dolorosa que faz a gente se perguntar: quanto da Lucy original vai sobrar até o fim da temporada?
O episódio é uma aula de ambientação. A fotografia aposta em tons secos e poeirentos que fazem a gente quase sentir o gosto da areia na boca. O ritmo é mais lento, mais deliberado, preferindo a tensão psicológica às grandes cenas de ação. É um capítulo que exige atenção e estômago, pois mostra que a violência no Wasteland não é um evento especial — é a linguagem básica de comunicação.
“The Ghouls” é o episódio onde Fallout prova que tem ambições muito maiores do que ser “apenas” uma adaptação fiel dos jogos. Ao usar os ghouls como metáfora para o preconceito e a sobrevivência sem dignidade, a série constrói um comentário social poderoso. É um capítulo menos explosivo, mas essencial para entender a alma (ou a falta dela) desse universo. Em suma, se você quer entender por que alguns personagens escolhem ser monstros antes de serem vítimas, este episódio te dá todas as respostas.