‘O Silêncio das Ostras’: Bárbara Colen estrela drama visceral sobre a resistência em meio à lama e ao esquecimento.
Existem filmes que a gente assiste e outros que a gente “sente”. “O Silêncio das Ostras” pertence ao segundo grupo. A obra de Marcos Pimentel nos apresenta Kaylane — vivida na infância por Lavínia Castelari e na fase adulta por Bárbara Colen (Bacurau). Uma mulher que nasceu e cresceu em uma vila de operários em Minas Gerais.
| Vanished – Confira o trailer do suspense
Mas o que poderia ser apenas uma história de formação vira um retrato contundente. Ou seja, do que significa sobreviver quando o mundo ao seu redor colapsa, literalmente.
Entre a Poeira e a Lama: A Luta Pelo Direito de Sonhar
Inspirado nos desastres ambientais e humanos de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), o filme não busca o espetáculo da tragédia, mas sim o seu rastro de silêncio. Vemos Kaylane perder seus mundos sucessivamente: a decadência da economia local, o abandono dos vizinhos e, por fim, a devastação causada pelo rompimento das barragens. O “silêncio” do título é aquele que fica depois que a lama passa, e é nesse vazio que a protagonista precisa encontrar forças para resistir e, contra todas as probabilidades, continuar sonhando.

Bárbara Colen entrega uma das suas atuações mais sensíveis até aqui, transmitindo toda a dor e a dignidade de quem testemunha o fim de uma comunidade. O diretor Marcos Pimentel, conhecido por seu olhar poético e humanista em documentários, traz essa mesma atenção aos detalhes para a ficção. Não à toa, o filme já rodou o mundo e colecionou prêmios em Los Angeles e Nova York, sendo elogiado pela fotografia impecável que consegue encontrar beleza até em meio à poeira da mineração.
Estrear na FILMICCA é o passo ideal para uma obra desse calibre. A plataforma, que já conta com outros títulos de Pimentel no catálogo, reforça seu compromisso com um cinema que nos faz pensar e, acima de tudo, sentir a realidade brasileira de forma profunda. “O Silêncio das Ostras” é mais do que um filme; é um manifesto sobre a resiliência humana diante de erros que não deveriam ter acontecido.
“O Silêncio das Ostras” é um convite à reflexão e à empatia. É um filme necessário para entender as cicatrizes que a mineração deixou no solo e na alma do povo mineiro. Então, se você busca um cinema nacional de alta qualidade, que une estética apurada com um tema urgente, o play nesta sexta-feira é obrigatório. É uma lição de sobrevivência que vai te acompanhar por muito tempo depois que os créditos subirem.