‘Pânico 2’ (1997): A sequência que elevou a metalinguagem e provou que o terror pode ser ainda mais inteligente.
Apenas um ano após o fenômeno original, Wes Craven e Kevin Williamson retornaram com “Pânico 2” (Scream 2). Se o primeiro filme discutia as regras do terror, a sequência foi além: ela discute as próprias sequências.
Transportando a ação da pequena Woodsboro para o ambiente universitário da Windsor College, o longa expande o universo de Sidney Prescott com mais orçamento, mortes mais elaboradas e uma crítica ainda mais ácida à espetacularização da violência pela mídia.
O Cinema dentro do Cinema
Dois anos após sobreviver ao massacre original, Sidney Prescott (Neve Campbell) tenta encontrar paz na universidade. Mas o passado a persegue na forma de Stab, o filme fictício baseado nos crimes de Woodsboro. A sequência de abertura dentro de um cinema lotado, onde a morte real é confundida com performance, é uma das críticas mais geniais da franquia à banalização da violência.
A partir daí, o novo Ghostface inicia um jogo de “copia e cola” macabro, caçando os sobreviventes e novos estudantes enquanto desafia Sidney a confiar em qualquer pessoa ao seu redor — inclusive em seu novo namorado, Derek (Jerry O’Connell).

O retorno do trio principal é o que dá alma ao filme. Courteney Cox entrega uma Gale Weathers ainda mais sarcástica, mas que começa a mostrar suas primeiras rachaduras emocionais, enquanto o Dewey de David Arquette amadurece como o protetor improvável. O roteiro utiliza uma aula de cinema para ditar as novas regras: o número de vítimas deve ser maior e as cenas de morte muito mais coreografadas. E o filme cumpre: a sequência da perseguição dentro do carro da polícia e o suspense no estúdio de som são aulas de como construir tensão sem depender apenas de sustos fáceis (jump scares).
Windsor College sob Ataque
O grande trunfo de “Pânico 2” é a sua capacidade de ser mais ambicioso sem perder a essência. O mistério se torna mais denso com a introdução de personagens como o estudante de cinema Mickey (Timothy Olyphant). Além disso, a jornalista persistente Debbie Salt (Laurie Metcalf). A metalinguagem aqui atinge seu ápice ao questionar se o cinema influencia a vida real ou se apenas reflete a podridão da sociedade. Sidney, por sua vez, deixa de ser a “vítima traumatizada” para se tornar uma guerreira resiliente, pronta para confrontar o Ghostface em seu próprio palco.
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No ato final, a revelação dupla choca ao unir motivações distintas. De um lado, o desejo doentio por fama e espetáculo; do outro, a vingança familiar mais pura e visceral. A revelação de que a Sra. Loomis (Laurie Metcalf) estava por trás de tudo, movida pela dor da perda de seu filho Billy, eleva o clímax a um nível dramático quase teatral. É um encerramento que honra o original, mas entrega um peso emocional maior, consolidando a franquia como a voz definitiva do terror nos anos 90.

“Pânico 2” é aquela sequência rara que consegue ser tão boa quanto a obra original. Mais violento, mais ousado e profundamente inteligente, o filme não apenas repete a fórmula, ele a disseca na frente do espectador. Se o primeiro filme nos ensinou a amar o terror, o segundo nos ensinou a respeitar a complexidade de uma boa continuação. Em suma, é um play obrigatório para quem quer ver como se faz uma sequência perfeita.
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