2ª temporada Percy Jackson e os Olimpianos episódio 03: O Embate de Ideologias na Princess Andromeda.
O terceiro episódio da 2ª temporada de Percy Jackson e os Olimpianos, intitulado “We Board the Princess Andromeda”, abandona o tom de “aventura da semana” para abraçar um suspense psicológico necessário. Ao infiltrar o trio protagonista no coração da operação de Luke Castellan (Charlie Bushnell), a série deixa de apenas traduzir o livro O Mar de Monstros e passa a expandir sua alma.
| Percy Jackson e os Olimpianos (Disney+) – S02E02 – Review
Diferente do livro, onde o navio descrito com a grandiosidade de um cruzeiro corrompido, a direção de James Bobin opta pelo terror ambiental. O uso de corredores estreitos, iluminação fria e um design de som que enfatiza o eco metálico transforma a embarcação em um cemitério de esperanças. O navio não é apenas o transporte de Kronos, mas uma manifestação física do vazio emocional de quem se sente abandonado pelo Olimpo.
Luke
O ápice do episódio não é uma luta de espadas, mas o embate ideológico. Luke Castellan elevado a um antagonista de primeira grandeza. Ao contrário da versão literária, onde suas motivações são mais expostas através da raiva, na série ele é sedutor e racional.
Luke argumenta sobre o ciclo de negligência divina, forçando Percy (Walker Scobell) a confrontar uma verdade incômoda: o sistema dos deuses é falho. Essa escolha de roteiro acelera o amadurecimento de Percy, que deixa de ser um peão do Acampamento Meio-Sangue para se tornar um herói com agência moral.

Enquanto no livro a dor de Annabeth (Leah Jeffries) muitas vezes mascarada pela ação, aqui ela é o centro gravitacional. Estar na Princess Andromeda é, para ela, encarar o cadáver da família que ela construiu com Luke e Thalia. A interpretação de Jeffries entrega uma Annabeth estrategista, mas visivelmente ferida, trazendo uma camada de luto e negação que torna a personagem muito mais tridimensional do que em qualquer adaptação anterior.
A introdução de Tyson (Daniel Diemer) continua sendo um acerto narrativo e uma falha técnica. A química entre os irmãos é tocante; Tyson é o coração do episódio, representando a pureza em meio a uma conspiração de guerra. Entretanto, o CGI do olho único continua inconsistente. Em planos médios, a renderização digital falha em acompanhar as expressões faciais de Diemer, criando o efeito “vale da estranheza” que pode quebrar a imersão de espectadores mais exigentes.
Série vs. Livro
A adaptação de Rick Riordan para a Disney+ toma liberdades que beneficiam o formato seriado:
- Complexidade do Vilão: No livro, Luke um traidor claro; na série, ele é um revolucionário perigoso cujos argumentos fazem sentido, tornando a escolha de Percy em combatê-lo muito mais difícil.
- Narrativa de Grover: Enquanto no livro Grover (Aryan Simhadri) está mais focado na busca física por Pan, na série ele atua como o barômetro sensorial do perigo, detectando a influência de Kronos antes mesmo de ela se manifestar.
- Ritmo Narrativo: A série sacrifica a agilidade das cenas de ação do livro para investir em densidade dramática. Onde Riordan descreveria uma fuga frenética, a série entrega um diálogo tenso que prepara o terreno para a guerra civil entre semideuses.
“We Board the Princess Andromeda“ um triunfo de tom. Ao trocar o espetáculo visual por tensão psicológica, a série prova que entende a importância do peso das escolhas. O episódio confirma que a missão de recuperar o Velo de Ouro é apenas a superfície. Ou seja, a verdadeira batalha é pela alma de uma geração de heróis esquecidos pelos pais.
1 thought on “Percy Jackson e os Olimpianos (Disney+) | S02E03 – Review”