‘Perrengue Fashion’ e a Desconstrução da Futilidade Digital na Imensidão da Amazônia.
A saber, o cinema nacional de 2025 encontrou em “Perrengue Fashion” um exemplar robusto. De como a comédia popular pode atuar como veículo para debates contemporâneos urgentes. Além disso, dirigido por Flávia Lacerda e protagonizado pela veterana Ingrid Guimarães. O longa carrega o peso histórico de ser a primeira produção brasileira da Amazon MGM Studios concebida para as telonas. Além disso, consolidando uma parceria de distribuição com a Paris Filmes e Downtown Filmes. Resultando em uma bilheteria expressiva de mais de 300 mil espectadores.
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A trama acompanha a odisseia de Paula Pratta (Ingrid Guimarães). Influenciadora de moda cujo auge profissional — uma campanha global de Dia das Mães — depende da cooperação de seu filho, Cadu (Filipe Bragança). O conflito se estabelece quando Paula descobre que o jovem abandonou o asfalto de São Paulo para viver em uma ecovila sustentável na Floresta Amazônica. Forçando a protagonista a uma jornada de “resgate” que se transforma em um espelho impiedoso de seus próprios valores materialistas.
Reflexão Necessária
A narrativa utiliza o clássico recurso do “peixe fora d’água” para explorar o contraste visual e ético entre o asfalto e a floresta. Acompanhada por seu assistente e alívio cômico Taylor (Rafa Chalub), Paula enfrenta perrengues físicos que servem como metáfora para a desintegração de sua persona digital. Em um ambiente onde o sinal de Wi-Fi e a validação estética são irrelevantes.
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A cinematografia alterna de forma inteligente entre a paleta saturada e frenética do mundo fashion urbano e a organicidade vibrante da paisagem amazônica. Ou seja, reforçando o arco de transformação da personagem. Ingrid Guimarães domina o ritmo da obra, entregando um equilíbrio refinado entre a caricatura exagerada da influenciadora e a vulnerabilidade genuína de uma mãe. Que, em meio ao barro e à simplicidade, começa a questionar a futilidade do consumo desenfreado e a precariedade de suas conexões humanas mediadas por telas.
Apesar do sucesso comercial e da química inegável entre Ingrid e Chalub, o roteiro — escrito a várias mãos, incluindo as da própria protagonista. Então, foge de certas irregularidades rítmicas. Críticos apontam que o terceiro ato, ao tentar conciliar a resolução emocional com a crítica à cultura digital. Recorre a transições abruptas e estereótipos que podem soar datados para as audiências mais exigentes. Contudo, o subtexto sobre a geração de Cadu, que prioriza causas ambientais em detrimento do status acadêmico tradicional. Ou seja, confere ao filme uma profundidade que o eleva acima das comédias de situação genéricas.

“Perrengue Fashion” funciona como um entretenimento acessível. Ou seja, sem perder o tom de diversão, provoca uma reflexão necessária. Sobre a autenticidade na era da pós-verdade e a possibilidade de reconciliação familiar através da empatia. Em suma, ao final, a obra deixa a lição de que o verdadeiro luxo não reside nas etiquetas de grife. Mas na capacidade de se desconectar para finalmente enxergar o que é essencial.
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