The Pitt S01E04: ‘10:00 A.M.’ e a Fragilidade Humana entre o Luto e a Saúde Mental.
Se você achou que The Pitt seria apenas mais uma série com médicos correndo por corredores e gritando termos técnicos, o episódio “10:00 A.M.” veio para provar o contrário. Depois de três horas de caos absoluto, a série decide diminuir a velocidade, mas não a intensidade. Aqui, o inimigo não é um sangramento incontrolável, mas algo muito mais difícil de estancar. Ou seja, a culpa e o desgaste de quem vive na linha de frente.
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O coração deste episódio bate forte na performance de Noah Wyle. O Dr. Robby, que até agora era o líder inabalável, enfrenta um dos momentos mais difíceis da profissão: acolher uma família após uma perda. É fascinante ver como Wyle usa o silêncio. Ele não precisa de grandes discursos; o jeito como ele ajeita o jaleco ou desvia o olhar entrega que aquele paciente que se foi não é apenas um número. Mas alguém que reabre feridas do seu próprio passado. A série brilha ao mostrar que, mesmo após anos de carreira, a morte nunca se torna algo “comum”.
Câmeras que “flutuam”
Enquanto isso, nos corredores, o clima esquenta com as residentes Santos e Mohan. A série traz um debate muito atual sobre a humanização da medicina. Santos aprende, do jeito mais difícil, que um paciente não é um quebra-cabeça para ser montado, mas um ser humano que precisa ser ouvido. Essa dinâmica de “aprendizado na prática” é o que faz The Pitt parecer tão real. Não existem médicos perfeitos aqui; existem profissionais exaustos tentando não perder a própria humanidade no meio da burocracia.
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Outro ponto alto foi o caso do paciente com transtorno psicótico, apelidado carinhosamente pelos fãs de “The Kraken”. Em vez de transformar a cena em um espetáculo de ação, a direção escolheu o caminho do realismo. Vemos a dificuldade real de lidar com a saúde mental em um ambiente de emergência, onde faltam leitos, tempo e, às vezes, paciência. É uma sequência que mistura tensão com uma pitada de vergonha alheia, mostrando que, no hospital, as coisas nem sempre saem como no roteiro.

A técnica deste episódio merece um elogio à parte. A câmera parece “flutuar” entre as salas, dando a sensação de que somos estagiários acompanhando tudo de perto. A luz está mais fria, o som dos bipes dos aparelhos parece mais alto, e a falta de uma trilha sonora dramática demais ajuda a manter os pés no chão. É televisão de alta qualidade, feita para quem não quer apenas passar o tempo, mas quer ser provocado.
O episódio das 10h é um respiro necessário, mas carregado de significado. Ele prepara o terreno para o que vem a seguir, deixando a pergunta: até quando a equipe vai aguentar esse ritmo antes de quebrar? Se você gosta de ver a verdade sem filtros, esse capítulo é obrigatório.