One Piece: A Série T2E3 — “Whisky Business”: Zoro virou John Wick e a temporada finalmente explodiu.
Se os dois primeiros episódios da segunda temporada foram sobre estabelecer tom e apresentar o Grand Line com calma, “Whisky Business” é o momento em que One Piece: A Série, lembra que também sabe ser incrivelmente divertido.
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Com 63 minutos de duração e uma nota de 8.9 no IMDb, o terceiro episódio entrega a melhor sequência de ação da série até agora, uma reviravolta bem executada e um novo personagem que promete ser um dos favoritos da temporada. Tudo isso embalado numa referência a um filme de negócios turbinados que faz todo sentido quando você entende a piada.
Whisky Peak: a cidade que ama piratas (até não amar mais)
A primeira parada dos Chapéus de Palha no Grand Line é Whisky Peak, uma cidade construída na Ilha Cactus — assim chamada por causa das formações rochosas em forma de cactos ao redor. E a cidade é, aparentemente, o paraíso para qualquer pirata: os moradores adoram visitas, fazem festa, oferecem comida e bebida, e tratam os recém-chegados como celebridades.
Algo claramente errado com esse cenário. A série faz um bom trabalho deixando o espectador desconfortável antes de confirmar o óbvio: Whisky Peak é uma armadilha. Uma operação da Baroque Works, a organização criminosa apresentada nos episódios anteriores, projetada para atrair piratas, baixar sua guarda com hospitalidade falsa e eliminá-los enquanto dormem. Os restos da tripulação anterior estão jogados nos campos de cactos ao redor da cidade — uma descoberta que Nami faz do jeito mais perturbador possível.

É um cenário clássico do gênero — a cidade que parece boa demais para ser verdade — mas “Whisky Business” o usa com competência, construindo tensão suficiente antes de soltar a tensão de uma forma que ninguém esperava.
Momento Zoro (o gif dessa temporada)
Mackenyu como Roronoa Zoro já tinha momentos bons na primeira temporada. “Whisky Business” é um salto de qualidade que deixa tudo o que veio antes parecendo aquecimento.
Enquanto o restante da tripulação está desprevenido, Zoro percebe o que está acontecendo e parte para a ação sozinho. O que se segue é uma sequência de luta dentro da taverna de Whisky Peak que é, sem exagero, a melhor coreografia de ação que a série já produziu. Zoro enfrenta 100 agentes da Baroque Works — cem — num set de múltiplos andares especialmente construído para a cena, e a câmera acompanha cada golpe com uma clareza que raramente se vê em produções do gênero.
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O que torna a cena funcionar além da técnica é a atitude. Zoro está claramente se divertindo. Não é um personagem sofrendo para sobreviver — é um espadachim que encontrou exatamente o tipo de desafio que precisa para crescer, e a cena captura isso na expressão de Mackenyu com uma precisão que o ator merece crédito direto. Ele treinou para isso, e aparece na tela.

O desfecho da sequência, quando Zoro resgata Sanji e Usopp das mãos dos agentes, é temperado com um comentário sarcástico que resume a dinâmica entre os três perfeitamente — e arranca um sorriso involuntário mesmo de quem já sabia o que estava vindo.
Miss Wednesday
Nos dois episódios anteriores, Miss Wednesday (Charithra Chandran) funcionava como personagem de segundo plano: presente, interessante, mas sem destaque claro. “Whisky Business” muda isso completamente.
Sem entrar em detalhes para preservar a experiência de quem ainda vai assistir: o episódio revela a verdadeira identidade de Miss Wednesday. Sendo assim, essa revelação é o tipo de virada que recontextualiza tudo que você pensava saber sobre ela. A série constrói o momento com tempo suficiente para que aterrisse com peso. Ou seja, não é uma revelação apressada, e Chandran entrega o que é preciso na cena decisiva.
O que dá para dizer sem spoilers é que a nova camada do personagem transforma o que parecia ser um arco secundário em algo com stakes reais. E fica claro que Vivi — como passaremos a chamá-la — vai ser muito mais do que um plot device nos próximos episódios.
A relação que começa a se formar entre ela e Nami neste episódio também merece menção. Ou seja, há um gesto específico de Nami que é pequeno, instintivo e completamente revelador de quem ela é como pessoa. É o tipo de detalhe que bons roteiros constroem sem precisar sublinhar.
Novas sementes
“Whisky Business” planta várias sementes para o que vem a seguir. A Baroque Works deixa de ser uma ameaça abstrata e passa a ter rostos, habilidades e uma estrutura que a série começa a revelar em camadas. O episódio apresenta Mr. 5 e Miss Valentine como agentes com poderes de Akuma no Mi. E mesmo sem entrar em detalhes das habilidades específicas, a série deixa claro que esses dois são um grau acima do que os Chapéus de Palha enfrentaram até agora.

E então, nos últimos minutos, “Whisky Business” entrega uma última cena que funciona como gancho para o episódio seguinte. Além disso, como declaração de que a temporada está escalando exatamente na direção certa.
Quem assistiu à primeira temporada vai reconhecer o padrão: One Piece constrói devagar e entrega rápido. “Whisky Business” é a entrega.
Sem hesitar. “Whisky Business” é o episódio mais completo da segunda temporada até agora. Ou seja, tem ação que impressiona, humor que funciona, emoção que pega de surpresa e uma reviravolta que redefine o rumo da história. Se os dois primeiros episódios te deixaram animado, este vai te deixar com vontade de apertar o play no próximo imediatamente.
E se você ainda estava na dúvida se Mackenyu é a escolha certa para Zoro, esse episódio encerra o debate.
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