‘Pânico’ (1996): O slasher que quebrou as regras e reinventou o terror para uma nova geração.
Em meados dos anos 90, o gênero slasher parecia ter fôlego esgotado, sobrevivendo apenas de sequências intermináveis. Foi quando o mestre Wes Craven, aliado ao roteiro afiado de Kevin Williamson, lançou “Pânico” (Scream).
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O filme não apenas resgatou o suspense nas telonas, mas introduziu a metalinguagem: personagens que conhecem filmes de terror e discutem suas regras enquanto tentam sobreviver a um assassino real. É a obra-prima que deu origem ao icônico Ghostface e mudou a cultura pop para sempre.
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A abertura de “Pânico” é, sem exagero, uma das mais importantes da história do cinema. Ao escalar a estrela Drew Barrymore apenas para matá-la nos primeiros dez minutos, Wes Craven avisou ao público: ninguém está seguro e nada é o que parece.
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A partir daí, somos apresentados a Sidney Prescott (Neve Campbell), uma protagonista marcada pelo trauma do assassinato da mãe, que se vê cercada por um novo rastro de sangue na cidade de Woodsboro. O que torna o filme brilhante é como ele utiliza o cinéfilo Randy (Jamie Kennedy) para ditar as “regras” de sobrevivência, criando um jogo mental com o espectador que tenta adivinhar o próximo passo do assassino.

O elenco é um dos pilares do sucesso. Neve Campbell definiu o que é ser uma final girl moderna: resiliente, inteligente e humana. Ao seu lado, a química entre o policial Dewey (David Arquette) e a jornalista oportunista Gale Weathers (Courteney Cox) trouxe uma camada de humor ácido e sátira à mídia sensacionalista que elevou o tom da produção. Mas o verdadeiro motor do filme é o mistério por trás da máscara do Ghostface, que utiliza o telefone como uma arma psicológica antes de partir para a violência gráfica, equilibrando suspense clássico com um ritmo frenético.
A Revolução de Woodsboro
No ato final, “Pânico” entrega um dos plot twists mais impactantes da década de 90. A revelação de que o assassino não era apenas uma pessoa, mas uma dupla — Billy Loomis (Skeet Ulrich) e Stu Macher (Matthew Lillard) — quebrou a lógica dos vilões sobrenaturais e invencíveis como Jason ou Freddy Krueger.
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Billy e Stu trouxeram o horror para o mundo real. Ou seja, a violência motivada por vingança familiar e pelo puro prazer niilista de “entrar para a história”. O confronto final na casa de Stu é uma aula de direção, culminando no desfecho icônico onde Sidney retoma o controle da narrativa.

Com uma arrecadação de mais de US$ 170 milhões, o impacto de Pânico foi imediato. Ou seja, gerando uma franquia duradoura e abrindo caminho para toda uma nova onda de terror adolescente. O filme provou que o público de terror é inteligente e gosta de ser desafiado. Wes Craven não apenas dirigiu um filme de assassino; ele dirigiu uma carta de amor. Além disso, uma crítica feroz — ao gênero que ele mesmo ajudou a construir.
Em suma, “Pânico” (1996) é um filme obrigatório, um divisor de águas que envelheceu como vinho. Ele entende as regras do jogo melhor do que qualquer um e as usa para subverter expectativas com inteligência, ironia e muito sangue. Se você quer entender a base do terror moderno e por que o Ghostface continua sendo um ícone 30 anos depois, o play é indispensável. Como a própria Sidney diz: não é apenas mais um filme.