MC Livinho revisita 15 anos de carreira em apresentação intimista e leva o funk paulista para um dos formatos musicais mais conhecidos do mundo.
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O cantor chegou ao Tiny Desk Brasil para transformar sucessos conhecidos do funk paulista em uma apresentação que revela outras camadas de sua identidade musical. Lançado em 22 de setembro, o episódio marca a estreia do cantor no projeto e apresenta novas versões de músicas como “Fazer Falta”, “Cheia de Marra” e “Na Imaginação”, com arranjos que aproximam o funk de elementos de R&B, soul e gospel.
A participação tem um significado especial para Livinho, que soma cerca de 15 anos de carreira. Para o artista, ocupar a tradicional “mesinha” representa também um momento importante para o próprio funk brasileiro.

“Estar no Tiny Desk, eu só via os gringos, os caras lá distante… Eu nunca pensava [em estar lá], irmão. E hoje nosso movimento funk me proporcionou isso”, afirmou o cantor durante um evento realizado para celebrar sua participação.
Mais do que simplesmente transportar músicas do funk para um formato diferente, a apresentação aproveita a estrutura do Tiny Desk para mostrar uma faceta mais melódica de Livinho.
Além do Funk
Conhecido principalmente pelos sucessos do funk paulista, Livinho aparece acompanhado por uma banda completa, com teclado, baixo, guitarra, bateria, DJ, saxofone, trompete e diversos backing vocals. A formação amplia consideravelmente as possibilidades das músicas e cria uma sonoridade mais próxima do R&B e do soul.
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O resultado é uma apresentação que não abandona as raízes do cantor, mas permite que músicas já conhecidas sejam percebidas de outra maneira.
“Fazer Falta”, por exemplo, ganha espaço para que a interpretação vocal tenha maior destaque, enquanto “Cheia de Marra” e “Na Imaginação” também aparecem dentro dessa proposta de releitura.
A escolha faz sentido dentro da própria trajetória de Livinho. O artista já explicou que enxerga sua carreira a partir de diferentes vertentes, especialmente o funk e o chamado funk R&B, sem tratar os gêneros musicais como fronteiras rígidas.
O lado musical que nasceu na igreja
Antes de se tornar um dos nomes conhecidos do funk paulista, Oliver Decessary dos Santos, o MC Livinho, teve contato com a música ainda na infância por meio da igreja.
Foi nesse período que estudou instrumentos como violino e piano. Essa formação ajuda a compreender por que a apresentação no Tiny Desk consegue explorar elementos melódicos e harmônicos que nem sempre ficam tão evidentes nas versões originais de seus sucessos.
O gospel também aparece como uma das referências que atravessam sua trajetória musical.
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Por isso, a apresentação não funciona apenas como uma versão “acústica” de músicas de funk. Então, ela revela uma combinação de influências que já fazia parte da formação artística do cantor.
Repertório / Banda
O repertório escolhido funciona praticamente como uma retrospectiva da trajetória de Livinho.
Entre as músicas apresentadas estão “Na Imaginação”, “Nem Tudo Que Brilha É Ouro”, “Cheia de Marra”, “Azul Piscina” e “Fazer Falta”.
Em vez de apostar apenas em seus maiores sucessos, a apresentação utiliza diferentes momentos da carreira para construir uma espécie de retrato musical do artista.
A escolha de “Fazer Falta” ganha ainda um significado especial em 2026. O próprio cantor anunciou uma pausa por tempo indeterminado na carreira. Além disso, passou a realizar a turnê Fazer Falta, apresentada como uma celebração de sua trajetória e uma despedida temporária dos palcos.
Nesse contexto, a participação no Tiny Desk acaba funcionando também como um registro importante de uma fase específica da carreira de Livinho.
Apesar do conceito intimista do Tiny Desk, Livinho não aparece sozinho.
A apresentação conta com Andy Morais nos teclados e na produção musical; Bell Rocha, Diego Malane, Everton Augusto e Glauber Augusto nos backing vocals; Bru Sax no saxofone; DJ Tavares nos pickups; Felipe MusicMaker no baixo e na produção musical; Guga Sanva na guitarra; Ícaro Donato no trompete; e Zeze Drums na bateria.
Essa formação é fundamental para a proposta do episódio.
Os instrumentos de sopro e a presença de vários vocais de apoio dão às músicas uma dimensão diferente, enquanto baixo, guitarra, teclado e bateria criam uma base que aproxima o funk de outras linguagens da música negra.
Vale a pena?
O episódio funciona porque não tenta transformar Livinho em algo que ele não é. A proposta está justamente em revelar outras características de um artista que já possui uma trajetória construída dentro do funk. Sendo assim, os novos arranjos, a banda completa e a influência de R&B, soul e gospel fazem com que músicas conhecidas ganhem novas possibilidades.
Mais do que uma participação especial, MC Livinho no Tiny Desk representa a chegada do funk a um espaço que permite mostrar sua riqueza musical para além dos estereótipos.
E, para um artista que está celebrando 15 anos de carreira e vivendo um momento de pausa nos palcos. Ou seja, o registro chega em uma hora particularmente significativa.
MC Livinho chega à “mesinha” para mostrar que o funk não precisa escolher entre sua essência e sua evolução — ele pode ser os dois ao mesmo tempo.