One Piece T2E5 — “Wax On, Wax Off”: Usopp salva todo mundo e Sanji vira Mr. Prince.
O episódio anterior terminou com os Chapéus de Palha numa situação genuinamente ruim: Vivi, Zoro e Nami presos numa escultura de cera que vai endurecendo lentamente, Luffy sob controle emocional da Miss Goldenweek na praia, e Usopp completamente sozinho numa ilha pré-histórica sem saber por onde começar. “Wax On, Wax Off”: a conta chegando — e ela se paga com juros.
| One Piece: A Série (Netflix) – S02E04
Com 57 minutos de duração e 8.7 no IMDb, o quinto episódio entrega a resolução que o episódio anterior prometeu, com dois personagens que roubam completamente a cena: Usopp, que finalmente se torna o herói que sempre mentiu ser, e Sanji, que inventa um nome de código que vai entrar para a história da série.
A armadilha de cera — e a mente de Nami
O episódio abre exatamente onde o anterior parou: Vivi, Nami e Zoro estão na base do bolo de cera de Mr. 3, com velas acesas no topo derramando cera quente que vai solidificando em camadas ao redor deles. É uma das armadilhas mais perturbadoras que a série já apresentou — não porque seja violenta, mas porque é lenta. Mr. 3 não quer apenas matar. Ele quer imortalizar o sofrimento como obra de arte.
O que o episódio faz muito bem é mostrar que a saída dessa situação não vem da força bruta — vem da inteligência de Nami. Percebendo que Zoro ainda está sob efeito da tinta de Miss Goldenweek e não consegue agir com seriedade, Nami usa o próprio ego artístico de Mr. 3 contra ele. Ela provoca o vilão, dizendo que a escultura não tem valor como obra porque Zoro não está sofrendo de verdade — está rindo. Mr. 3, irritado com a crítica à sua arte, remove o efeito da tinta de Zoro para que ele possa sentir desespero.

O plano funciona. Zoro acorda. Mas a cera é dura como aço, e nenhuma das espadas dele consegue penetrá-la. A situação continua desesperadora — e é aqui que o episódio entrega Usopp.
Usopp — o herói que sempre foi, mas nunca acreditou
“Wax On, Wax Off” é, essencialmente, o episódio de Usopp. E é justo que seja, porque o episódio anterior construiu tudo que era necessário para essa entrega funcionar.
Depois de encontrar Brogy ainda vivo — gravemente ferido, mas vivo — Usopp recebe as palavras que faltavam. Brogy não lhe diz para ser corajoso. Ele lhe diz que guerreiros também têm medo. Que a diferença não está na ausência do medo, mas em agir mesmo com ele presente. É um conselho tão simples quanto poderoso, e Jacob Romero entrega a transformação de Usopp com uma sutileza que o personagem merecia.
O que vem depois é Usopp sendo Usopp — não uma versão melhorada ou evoluída, mas a versão mais honesta de si mesmo. Ele não vence porque ficou mais forte. Ele vence porque aprende a usar o que sempre teve: criatividade, timing e a disposição de ser o alvo para que os outros possam escapar. A cena em que ele deliberadamente provoca Miss Valentine para fazer a perseguição circular ao redor do bolo de cera e destruir a estrutura é simultaneamente ridícula e brilhante — exatamente a linguagem de One Piece.

A série evita o erro mais comum nesse tipo de arco: não faz a mudança de Usopp parecer fácil ou instantânea. Quando ele chega na praia e tenta tirar Luffy do transe de Miss Goldenweek, ele falha. Ele recua. Ele precisa de mais tempo. E quando finalmente age, não é com um discurso heroico — é por acidente e instinto, jogando a paleta de tintas na cara de Goldenweek sem ter certeza de que ia funcionar. Isso é exatamente o que Usopp precisava ser.
Próximo destino
A resolução do arco de Little Garden vem com um elemento inesperado de beleza: os gigantes Dorry e Brogy, que passaram séculos em duelo, fazem uma pausa para ajudar os Chapéus de Palha a partir. É um gesto pequeno que fecha o arco dos dois com uma dignidade que o episódio merece.
Sanji retorna com um Eternal Pose apontando para Alabasta. Vivi pode finalmente ir para casa. A tripulação zarpa — e o próximo destino já começa a tomar forma nos minutos finais, anunciando o arco de Drum Island e o que vem com ele.
| Eu & Você na Toscana – Halle Bailey e Regé-Jean Page brilham em comédia romântica
“Wax On, Wax Off” entrega o que “Big Trouble in Little Garden” prometeu, e faz isso com personagens funcionando no seu melhor. Usopp finalmente se torna quem sempre disse ser. Sanji prova que charme é uma habilidade de combate. E a série demonstra, mais uma vez, que sabe equilibrar humor e coração sem sacrificar nenhum dos dois.
É um episódio ligeiramente mais lento na primeira metade — a câmera passa bastante tempo dentro da armadilha de cera antes que as peças comecem a se mover. Mas quando elas se movem, se movem com propósito. E “Mr. Prince” sozinho já vale o play.